Pecuaristas já usam várias plantas

Entre elas, o nim contra insetos e carrapatos; babosa como cicatrizante e talos e folhas de bananeira contra diarréia

Niza Souza e Fernanda Yoneya, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2008 | 02h22

O que os pesquisadores tentam comprovar cientificamente, produtores rurais e pecuaristas que buscam alternativas mais naturais já utilizam no dia-a-dia da fazenda. A sua experiência serve, até, de fonte para a pesquisa, diz Ana Carolina, da Embrapa. Nas quatro fazendas do Grupo São Marcelo, em Tangará da Serra e Juruena (MT), nenhum animal é tratado com medicamento alopático. Os bovinos, tanto do rebanho orgânico quanto do convencional, são tratados com fitoterapia e com homeopatia. O nim, triturado e misturado ao sal mineral, é a principal arma para o controle de vermes, mosca-do-chifre, bernes e carrapatos. Já os suínos são tratados com cerca de 15 plantas, a maioria cultivada na própria fazenda. O grupo é o maior produtor de carne orgânica do País. Mas também possui fazendas com criações em sistema convencional. Do rebanho de 85 mil cabeças, cerca de 30 mil são orgânicas. "Testamos os produtos naturais no rebanho orgânico e tudo o que dá certo levamos para o convencional", explica o diretor do grupo, Arnaldo Eijsky. O uso de medicamentos naturais no rebanho convencional é uma estratégia para reduzir o nível de resíduos também na carne convencional. Alecrim para suínos Já para o rebanho de suínos, que ainda não é orgânico, a lista de plantas é mais extensa: o alecrim é antifúngico; o bálsamo ou babosa, cicatrizante e antiinflamatório; o boldo, digestivo e protetor hepático; o mastruz é usado como vermífugo; terramicina é antibiótico natural; couve é laxativa; melissa e a cidreira são calmantes; carqueja é diurético, o talo ou a folha da bananeira agem como antidiarréicos. "Cultivamos as plantas numa horta de 2 hectares", explica o diretor, que conta com orientação de um especialista em fitoterapia. Mas ele alerta: "Só homeopatia e fitoterapia não resolvem 100% dos problemas. É um conjunto de ações, que inclui também o bem-estar dos animais, higiene e o equilíbrio com a natureza." A responsável técnica de um laboratório especializado em homeopatia animal, Maria do Carmo Arenales, diz que a demanda por produtos mais seguros não tem volta. "A cada ano mais moléculas químicas são proibidas, seja pelos danos ao meio ambiente, por resistência ou mesmo pelos resíduos nos produtos, na carne e no leite", acredita. Atualmente, diz, o principal setor consumidor dos produtos homeopáticos é a pecuária leiteira, "por causa da IN 51". A Instrução Normativa 51, do Ministério da Agricultura, em vigor desde 2005, exige análise e controle, entre outras substâncias, de resíduo de antibiótico no leite. "Depois vem o mercado de carne bovina, pois o gado com sangue europeu é mais suscetível ao carrapato, por exemplo."  

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