Pedaladas na USP

Estudantes de Engenharia criam projeto de bicicletas públicas no câmpus. Fomos até lá testá-lo

Larissa Linder ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2010 | 00h00

Dois alunos da USP transformaram uma ideia de trabalho de conclusão de curso num projeto para melhorar o transporte na Cidade Universitária. Depois de um intercâmbio na França, Maurício Villar e Maurício Matsumoto, da Engenharia Mecatrônica, importaram o conceito que os conduzia pelas ruas de Lyon e Marselha: bicicletas públicas. "Eu usava direto como meio de transporte e tive a ideia de tentar aplicar isso na USP", conta Matsumoto.

Batizado de Pedalusp, o projeto inclui a criação de estações automatizadas onde bicicletas poderão ser retiradas sem custo. A ideia foi abraçada pela Coordenadoria do Câmpus (Cocesp), que investiu R$ 50 mil. Agora, Matsumoto e Villar buscam patrocínio de R$ 500 mil para pôr em uso 100 bicicletas e dez estações até 2011.

Para testar o projeto, o Estadão.edu convidou três universitários com diferentes perfis. William Sousa, de 27 anos, aluno da Faculdade Paulista de Serviço Social, corre 30 quilômetros e pedala 50 km por semana. Danilo Machado, também de 27, é do último ano de Engenharia Civil na USP e não pratica atividade física há 9 anos. Carlos Ferreira, de 43, está no 3º ano de Geografia na USP e é um autodeclarado sedentário.

Às 14 horas de quarta-feira, sob calor de 31 graus e umidade relativa do ar de 19%, os três fizeram o mesmo percurso no câmpus, incluindo uma subida íngreme, em 15 minutos. "É para trajetos assim que a bicicleta deve ser usada. Para ir, por exemplo, de um dos departamentos até o bandejão", diz Matsumoto, explicando que a ideia é que alunos e funcionários usem as bicicletas de graça por até uma hora.

Os voluntários do teste disseram que o trajeto foi tranquilo e usariam o serviço sempre, mas fizeram ressalvas. Machado se preocupa com os acidentes de trânsito. Nos 60 km de ruas do câmpus, não há ciclovias. A universidade diz que planeja criá-las em 2011.

"Tenho medo que estraguem os equipamentos", disse Ferreira. Um exemplo vindo da Universidade de Brasília mostra que a preocupação faz sentido: o projeto Bicicletas Livres, que tinha pouco controle do uso, foi suspenso após três meses, por causa do vandalismo.

Na Universidade Federal do Rio Grande, porém, praticamente não houve problemas. Lá, o projeto nasceu na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Em oito meses, só 1 das 50 bicicletas foi danificada.

O Pedalusp prevê design diferenciado para as bikes, para que nem elas nem suas peças despertem interesse em ladrões. "Até na Europa há muito roubo, tanto que lá se investe mais em trava do que em bicicleta", diz o cicloativista André Pasqualini, do Instituto Ciclobr. "De qualquer forma, é um bom começo para se pensar no deslocamento sustentável na cidade."

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