Pedida demissão de diretor de inspeção de leite do Mapa

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) considerou um "desastre" as denúncias de que cooperativas de Minas Gerais adicionavam de forma irregular substâncias químicas ao leite longa vida como forma de ampliar o prazo de validade do produto e de elevar o volume para venda. Durante audiência conjunta das comissões de Agricultura e Reforma Agrária, de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e de Diretos Humanos e Legislação Participativa, no Senado, ela pediu a "imediata" demissão do diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Nelmon Oliveira da Costa, "por má gestão administrativa".O diretor e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, chefe de Nelmon, estavam presentes, mas não responderam à provocação da senadora. Para a senadora, a "incompetência" do Dipoa, que culminou com a fraude do leite mineiro, vem colocando em risco a economia do País e afetando a vida de mais de 800 mil produtores de leite. Ela lembrou ainda que a adulteração do leite "é antiga" no País. Por isso, cobrou mais recursos para o combate às fraudes e contratação de maior número de fiscais. Atualmente, de acordo com informação da senadora, são apenas 212 fiscais que atuam em todo o país.O ministro disse que a crise do leite é "pontual" e que é desencadeada por atos "criminosos". Desde o mês passado, a Polícia Federal (PF) investiga duas cooperativas mineiras acusadas de adicionar substâncias químicas como soda cáustica e água oxigenada ao leite longa vida. O ministro previu que a imagem do setor leiteiro será recuperada de forma rápida. Em relação à proteção da saúde de quem consome leite, a segurança é total, mas que, às vezes, ainda há problemas na qualidade, disse ele.CNAO presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite (CNA) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Rodrigo Alvim, disse na audiência que 80% do leite produzido no Centro-Sul do País é refrigerado e transportado a granel e que os custos dessa operação são pagos pelos produtores. "Ficou um ônus em cima do produtor, que nem sempre recebe um adicional pela qualidade que oferta ao mercado", disse.Alvim também procurou tranqüilizar o consumidor de leite brasileiro em relação à qualidade do produto, devido às denúncias de adulteração praticadas por cooperativas. "Nunca foi tão seguro consumir leite no Brasil. Ninguém vai fraudar com a Polícia Federal atrás", afirmou. Ele lembrou que, em 2003, a CNA e outras entidades do setor privado assinaram um termo de cooperação, que vigorou por quase dois anos, com o Ministério da Agricultura para intensificar as ações de combate. Ele enfatizou que o percentual de amostras coletadas que apresentaram inconformidades caiu de 17,8% em 2003 para 7,8% em setembro de 2004.

FABÍOLA SALVADOR, Agencia Estado

07 de novembro de 2007 | 19h50

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