Pedida prisão de acusados de seqüestrar empresário em SP

Jovem de 21 anos conseguiu fugir do cativeiro após dar três machadadas em um dos seqüestradores

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2008 | 17h56

O delegado Alfredo Luiz Ondas, titular do 3º Distrito Policial de Americana, a 129 quilômetros de São Paulo, pediu nesta terça-feira, 20, a prisão preventiva de Nilson de Matos, de 52 anos, e Alexandre de Matos, de 19 anos. Ambos estão foragidos e são suspeitos de participar do seqüestro do empresário Pedro Ivo Torres de Souza, de 21 anos, que conseguiu escapar de um cativeiro em Americana na noite de domingo, após dar três machadadas em um de seus seqüestradores. Robson da silva Barbosa, de 39 anos, morreu no local, uma casa de dois cômodos localizada na Vila Margarida, periferia de Americana. O lugar pertencia a Gamaliel Carlos Moraes, de 42 anos. Moraes, a estudante de psicologia Kaline Cantelli Boer, de 22 anos, e a mulher de Alexandre de Matos, Rosivânia Scarante, de 29 anos, foram indiciados na segunda-feira por extorsão mediante seqüestro e formação de quadrilha. O delegado informou que até esta tarde não havia pistas dos Matos (tio e sobrinho). Nilson era um parente distante da família Souza e, segundo informou o jovem empresário seqüestrado, Nilson e Alexandre de Matos, acompanhados de Robson Barbosa é que o teriam levado da frente da transportadora da família, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, na sexta-feira à noite. Reação Pedro Ivo Torres de Souza rendeu Kaline e Gamaliel após acertar Robson Barbosa com três machadadas. Pegou a arma do vigia e, sob ameaça de morte, fez a moça e o proprietário da casa em que foi mantido entrarem num carro e seguirem para a região central de Americana. Foi onde Souza pediu a ajuda de dois guardas municipais, por volta de 23h50 de domingo. Dessa hora até esta segunda-feira, o empresário dormiu muito pouco, disse seu pai, Antonio Alves de Souza. Antonio e Pedro Ivo chegaram a Carapicuíba por volta das 18 horas. Ao menos 60 pessoas os esperavam perto da casa dos pais do empresário seqüestrado. "Foi muita emoção, ruim e boa, tudo junto. Ele (Pedro) cochilou um pouco vindo para casa e só foi dormir mesmo agora (por volta de 16 horas), sob efeito de calmante", afirmou o pai. O rapaz passou a primeira noite fora do cativeiro na casa dos pais, Antonio e Aparecida, localizada a 1,5 quilômetro da transportadora. Nesta segunda, passou o dia com a mulher, Yasmin, mas o casal dormiria novamente na residência dos pais do empresário. "Não deu para voltar à vida normal ainda. Eu fiquei o dia inteiro aqui no escritório só olhando as imagens das câmeras. A gente fica mais estressado, mais desconfiado. Tranqüilidade mesmo só vamos ter quando prenderem aqueles dois, principalmente o Nilson." Habeas-corpus A defesa da estudante de psicologia Kaline Cantelli Boer entrou nesta segunda-feira na Justiça com pedido de liberdade provisória para a garota, sob a alegação de que ela estava no lugar para comprar drogas. Loira, aluna de boas escolas quando adolescente, estudante da Faculdade de Americana, moradora do bairro Frezarin, de classe média-alta, Kaline destoava do grupo detido na madrugada de segunda-feira. "Ela tem endereço fixo, trabalha, estuda, tem as condições necessárias para fazermos o pedido de liberdade provisória", disse o advogado Roberto Machado Tonsig. Kaline foi transferida, segundo a Polícia Civil, para a Cadeia Feminina de Leme. Rosilvânia Sacarante para a Cadeia Feminina de Charqueada. E Gamaliel Moraes, para o Centro de Detenção Provisória de Americana.

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