Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Pedido de Tasso Jereissati para que Aécio deixe presidência do PSDB irrita mineiros

Aécio alfinetou o presidente interino da sigla: 'não trato de questões partidárias pela imprensa'

Renan Truffi, Julia Lindner e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 18h15

A declaração do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), surpreendeu aliados de Aécio Neves (PSDB-MG) e deputados mineiros nesta quarta-feira, 18. O recado para que o senador deixe o cargo na presidência do PSDB, após recuperar seu mandato, irritou deputados e senadores próximos ao mineiro. Já Aécio, por sua vez, alfinetou Jereissati, mas evitou se estender no assunto. "Não trato de questões partidárias pela imprensa", respondeu ao ser questionado por jornalistas sobre as declarações.

Logo no início da manhã, quando a crise parecia estancada, Jereissati se antecipou e disse que o senador mineiro não tinha mais condições de permanecer na presidência do partido. A reportagem do Broadcast Político apurou que o movimento não foi combinado com o Aécio Neves. 

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No plenário, Aécio disse que foi alvo de "graves ataques" nos últimos dias por parte de alguns senadores, mas que retorna à Casa "sem rancor ou ódio". O resultado da votação de ontem foi apertado, por 44 votos a 26 - Aécio precisava de pelo menos 41 votos para derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e retomar o mandato.

Entre os tucanos mineiros, a reação foi de crítica a Jereissati. "No mínimo, muito estranho e desnecessárias estas manifestações, afinal o senador Aécio Neves está licenciado da Presidência do PSDB, portanto não está no comando do partido. Mas principalmente desnecessário uma vez que já temos eleições previstas para daqui algumas semanas quando iremos eleger nova direção nacional", criticou o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG).

Em condição de anonimato, outros tucanos classificaram as declarações de Tasso de "apressadas". Na avaliação desses parlamentares, o presidente interino foi "autofágico" e "fraticida". A crítica principal é, mais uma vez, que o presidente em exercício do PSDB tem atuado mais como "incendiário" do que como "bombeiro".

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A postura de Tasso Jereissati causou espanto porque, mesmo aliados de Aécio Neves, já reconheciam que ele não teria mais condições de permanecer na presidência do partido. Ontem, antes mesmo do resultado ser divulgado, os mineiros já afirmavam que o mineiro sairia muito "machucado" do processo. Aécio conseguiu retomar seu mandato, dizem interlocutores, mas terá de carregar mágoas e decepções com colegas de partidos e antigos aliados que o decepcionaram no episódio.

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