Gustavo Lima/ Ag. Câmara
Gustavo Lima/ Ag. Câmara

Pedir impeachment 'é conspiração', diz líder do PMDB na Câmara

Para o deputado Leonardo Picciani (RJ), articulação pelo afastamento de Dilma é 'erro jurídico, político e de fundo democrático'

Juliana Dal Piva, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2015 | 16h06

Rio - O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani, criticou com dureza a oposição na tarde desta sexta-feira, 23. Para o parlamentar, os oposicionistas que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff cometem um erro e estão desrespeitando o resultado das eleições de 2014.

“É um erro jurídico, político e de fundo democrático. Demonstra que a oposição não se conforma com o resultado das urnas. Isso é conspiração”, afirmou Picciani. As declarações foram dadas ao Estado após a entrevista que o deputado concedeu ao programa Jogo do Poder, da Rede CNT, no Rio.

Para o deputado,parte da oposição decidiu promover uma campanha pelo impeachment e depois foi buscar fatos que justificassem o pedido. “Não é assim. Não se pode partir de uma decisão para depois buscar os elementos”, disse Picciani.

Ele comparou as diferenças do atual momento com o processo que ocorreu contra o ex-presidente Fernando Collor. Para o líder do PMDB, no caso de Collor surgiram indícios que depois foram sustentados pelo depoimento de Pedro Collor, irmão do ex-presidente. “Não é assim. Não se pode partir de uma decisão para depois buscar os elementos.”

Aécio. O peemedebista também criticou a atuação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência no segundo turno do ano passado. Picciani disse que o tucano comete um "erro" ao defender a tese do impeachment. 

“É um erro do Aécio. Para não perder o capital político não vai se respeitar o resultado da eleição? É uma pauta personalista. Tanto que há divergências. O (governador de São Paulo, Geraldo) Alckmin, por exemplo, é contra essa tese de impeachment. Eu, pessoalmente, queria que o Aécio tivesse vencido. Trabalhei para isso.”

Picciani foi eleito deputado pelo PMDB do Rio e fez parte do movimento Aezão, que apoiava a reeleição do governador fluminense, Luiz Fernando Pezão (PMDB), mas não a de Dilma - o grupo aderiu justamente a Aécio. Na liderança do partido na Câmara, substituiu o hoje presidente da Casa, Eduardo Cunha, que em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo Estado afirmou que quem defende a renúncia dele do cargo deveria fazer o mesmo com Dilma.

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