Pedreiro diz que não viu ninguém na obra em prédio vizinho

Pedreiro desmentiu a informação de que ele teria denunciado que sobrado fora invadido no dia do crime

Camila Tuchlinsk, Especial para a Agência Estado

10 de abril de 2008 | 14h54

O pedreiro Gabriel Santos Neto, que trabalha na construção de um sobrado que fica atrás do prédio onde morreu a menina Isabella Nardoni, de 5 anos, afirmou nesta quinta-feira, 10, que ninguém entrou na casa que está em obras no dia do crime. "Lá não roubou nada (sic) e não entrou ninguém lá", afirmou o pedreiro, em uma entrevista breve e tumultuada na saída do 9º Distrito Policial, no Carandiru. Ele prestou depoimento de aproximadamente uma hora e meia. "Não vi ninguém (na casa)", afirmou Santos. VEJA TAMBÉMPolícia prevê 19 depoimentos do caso Isabella nesta semana Investigação sobre morte de Isabela aposta em exame de DNAVídeo mostra ida de família Nardoni a mercado antes do crimeDefesa de Nardoni espera decisão sobre habeas-corpus até 5ªEscute por que crimes assim comovem a sociedadeTudo o que já foi publicado sobre o caso Isabella  O pedreiro reafirmou não ter visto ninguém ao ser questionado sobre a presença de outras pessoas no sobrado, na noite em que Isabella foi morta, no dia 29 de março. O pedreiro também foi questionado sobre notícias que circularam na imprensa, de que um pedreiro daquela obra teria dito que a casa em construção foi arrombada no dia do crime. "Eu não falei nada para ninguém", respondeu. Santos deixou o 9º DP em um carro da polícia. A polícia afirma que está perto de esclarecer a morte da menina Isabella de Oliveira Nardoni, de 5 anos. Duas testemunhas procuraram o delegado-titular do 8º Distrito Policial (Brás), Roberto Pacheco de Toledo, com importantes revelações sobre o caso. Elas disseram que ouviram de familiares de Alexandre Nardoni detalhes sobre o que ocorreu na noite do crime.  Ex-titular do 9º DP (Carandiru), Toledo conheceu as testemunhas quando trabalhava na delegacia que hoje investiga a morte de Isabella. As testemunhas o procuraram porque confiam no policial e queriam sigilo sobre seus depoimentos. Toledo avisou seus superiores. No fim da tarde de ontem, o atual delegado-titular do 9º DP, Calixto Calil Filho, deslocou-se até o 8º DP para ouvi-las. A polícia espera poder anunciar ainda hoje o avanço sobre a investigação do crime, com os primeiros resultados do exame de DNA nos vestígios de sangue encontrados pelos peritos.Isabella morreu após cair do 6º andar, no dia 29 de março. No apartamento, no Edifício Residencial London, na Vila Isolina Mazzei, zona norte, vivem o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, de 29, e sua madrasta Anna Carolina Jatobá, de 24, com dois filhos do casal. Alexandre e Anna Carolina estão presos desde o dia 3. "A cada dia que passa estamos sentindo que estamos perto de elucidar o caso", disse Calixto Calil Filho. "Acho que vai ser possível mostrar a cena do crime, quem fazia parte dela e o que aconteceu, exatamente", afirmou o promotor Francisco Cembranelli.Na quarta-feira, 9, a polícia ainda ouviu o depoimento de um pedreiro, que teria trocado a porta do apartamento de Alexandre. Já o tenente Fernando Neves Brás foi ao 9º DP rebater as declarações de parentes da madrasta. O pai de Nardoni afirmou a emissoras de TV que, no dia do crime, a polícia não revistou o edifício onde ocorreu a tragédia. Segundo Brás, houve, sim, uma revista minuciosa. O tenente disse ainda que, naquele dia, Alexandre parecia transtornado. "Ele me falava: ‘Seu guarda, diz para mim que o coraçãozinho da minha filha ainda está batendo’. Naquele dia, ele seria a última pessoa de quem eu poderia desconfiar."

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