Peixes ornamentais ganham mercado

No Vale do Paraíba (SP), produtores de carpas, kinguios, oscars e outras espécies comemoram a demanda maior

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2008 | 02h41

A grande demanda interna e o potencial de exportação de peixes ornamentais têm estimulado o surgimento de pólos produtores no Brasil, o maior deles na região de Muriaé (MG), onde são gerados mais de 15 mil empregos diretos nessa atividade. Embora em escala menor, o Vale do Paraíba paulista, sobretudo os municípios de Jacareí, Guararema e Igaratá, já pode ser considerado um novo pólo, concentrando cerca de 30 criadores, que ocupam uma boa fatia do mercado."Temos água e clima ideais para a criação, principalmente de kinguio e carpa", diz o produtor Wilson Morio Suzuky, de Jacareí. Ele tem 30 tanques de criação, em 7 mil metros quadrados, somando cerca de 300 mil peixes.A criadora Maria Luiza Girodetti, de Guararema, conta que a sua criação começou quando ganhou de presente um casal de peixes. "Comecei brincando", diz ela. A "brincadeira" transformou-se num negócio rentável, com a venda média de 10 mil unidades por semana, que abastecem atacadistas de São Paulo e de outros Estados, sobretudo do Sul.DOIS SÍTIOSA atividade é desenvolvida em dois sítios: em Guararema, com 50 tanques, onde são criados 150 mil kinguios e em Santa Isabel, também com 50 tanques, com produção anual de 250 mil carpas nishikigoi, em parceria com outro criador.Maria Luiza está iniciando a produção do oscar, uma espécie amazônica melhorada geneticamente nos Estados Unidos. Com cerca de 30 centímetros, o peixe é carnívoro e, segundo ela, comporta-se como um cachorro, sendo capaz de reconhecer o dono.Os irmãos Isaac e Daniel Dias, do município vizinho de Igaratá, são especializados na criação de carpas e não têm do que reclamar, pois a demanda por esses peixes está bastante favorável. Há 20 anos eles instalaram o criatório em 8 hectares, somando 40 tanques e produção anual de 300 mil peixes."O mercado continua bom, apesar de ter aumentado o número de criadores", diz Daniel Dias. Ele explica que há no Brasil dois principais tipos de carpa: a nishikigoi, as primeiras a chegar ao País e as mais exibidas em exposições, e a véu, diferenciada pelas nadadeiras maiores e o rabo mais comprido, ambas com padrão de cores do vermelho ao dourado.Os irmãos utilizam a superpopulação dos tanques como estratégia para atender a certos clientes que exigem fornecimento o ano inteiro. "A superpopulação e a falta de espaço não deixam que o peixe cresça mais que o tamanho aceito pelo mercado", afirma Dias.O MAIOR PÓLOEm Muriaé (MG), "peixe é uma beleza que dá lucro", conforme afirma o produtor Francisco Eustáquio Andrade Cavalhier, que faz parte de um grupo informal de produtores, que atua na venda de peixes, inclusive para venda ao mercado externo.A região, localizada na Zona da Mata mineira, produz cerca de 10 milhões de peixes por ano, de 70 a 80 espécies, destacando-se o beta, o guppy e o kinguio. Só em Muriaé são mais de 500 produtores. A atividade envolve pequenos criatórios, com média de 2 a 3 hectares. O maior volume é vendido para São Paulo, que também comercializa com outros Estados e exporta grande quantidade de peixes ornamentais para a América do Sul, América do Norte e União Européia.Outra região importante produtora de peixes ornamentais fica entre Mangaratiba e Rio Bonito (RJ), reunindo cerca de 30 criadores. Destaca-se o município de Magé, no qual 18 produtores, a maior parte de guppy e beta, criam cerca de 900 mil peixes, vendidos principalmente em São Paulo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.