Pela 1ª vez, Brasil reúne condições para ter Olimpíada, diz ministro

Para Orlando Silva, melhora da economia e Pan ajudam nova campanha brasileira.

Edson Porto, BBC

04 de junho de 2008 | 13h06

Segundo o ministro dos Esportes, Orlando Silva, o Brasil entrou na corrida pelas Olimpíadas de 2016 com uma proposta melhor do quer as anteriores e "para vencer". Falando à BBC Brasil pouco antes de embarcar para Atenas, ele elencou fatores pelos quais acredita que o Rio de Janeiro reúne hoje as condições de apresentar uma proposta muito mais forte do que a apresentada e derrotada para os jogos de 2012 - que vão acontecer em Londres. Para ele, pela primeira vez o país, e o Rio, tem condições de trazer o evento para o país. "Partimos de uma base instalada esportiva bem superior ao que foi a última candidatura, de 2012. O Rio não possuía tantas instalações", diz ele. "Teremos uma candidatura muito consistente e com o objetivo de vencer." Na entrevista, Silva também defendeu que, apesar de ser cara, vale à pena para o país investir e trazer os jogos para o Brasil. BBC Brasil - Quais são as chances de o Brasil conquistar a Olimpíada de 2016? Pela primeira vez o Brasil, o Rio de Janeiro, para não dizer a América do Sul, reúne as condições de realizar uma edição dos jogos Olímpicos. Vivemos em um país com estabilidade política, plena democracia, um momento importante da economia com crescimento sustentado. Vivemos um momento de muita credibilidade internacional, veja que duas agências (de avaliação de risco) oferecem o certificado de 'investment grade' para o Brasil. Ou seja, o Brasil passa a ser um destino confiável para investimentos internacionais. Além desses aspectos políticos e econômicos nós tivemos uma experiência recente de sucesso dos jogos Panamericanos. O ano de 2007 marcou uma edição histórica dos jogos, com 42 países 34 modalidades e aconteceu com grande sucesso. Construímos instalações que se aproximam de padrão olímpico, transportes e segurança funcionaram. Então eu diria que o Rio de Janeiro, com o sucesso dos jogos Panamericanos, a estabilidade da economia, o ambiente político e a projeção internacional do Brasil são variáveis que tornam a candidatura do Brasil competitiva. BBC Brasil - Mas se o senhor tivesse que fazer uma avaliação mais precisa das chances brasileiras, quais seriam elas? Muito grandes, médias...Orlando Silva - Dar uma definição maior seria uma aposta, uma especulação. O que posso transmitir é que temos muita cinfiança. Teremos uma candidatura muito competitiva. Até porque uma Olimpíada no Brasil pode servir como motivação para desenvolver o esporte nacional. BBC Brasil - Existem diferentes dados sobre o quanto o Brasil está investindo na campanha para conquistar as Olimpíadas. O senhor já falou em R$ 100 milhões. O COB apresentou um número diferente. Qual é o valor efetivamente? Orlando Silva - O orçamento só é definitivo depois que o Brasil passa para a fase de candidatura. BBC Brasil - Mas qual é número com o qual o senhor trabalha? Orlando Silva - A minha expectativa é que sejam 100 milhões, não de dólares, de reais. O número que foi dado em uma matéria recente na imprensa fala em dólares (recentemente o COB divulgou o valor de US$ 42 milhões, cerca de R$ 70 milhões), mas como o valor do dólar tem variado muito, por isso eu prefiro falar em real. BBC Brasil - Isso inclui o dinheiro já gastos até agora? Orlando Silva - Sim. BBC Brasil - Como funciona esse financiamento? Orlando Silva - Uma parte vem do governo federal, digamos 30%, e outras partes iguais dos governos estadual e municipal. E houve inclusive uma participação do setor privado. Que foi pequena nesta primeira fase e deve crescer nesta segunda fase. Então, são os três níveis de governo que compartilham o financiamento da campanha e tem uma participação privada que é crescente - e à medida que ela cresça e evolua, tem uma redução da participação do governo. BBC Brasil - Até aqui estamos falando apenas dos gastos da campanha. Obviamente que teremos, se o Brasil sair vitorioso desse processo, os gastos com a preparação para as Olimpíadas, o que requer grande investimentos. Vale à pena para um país como Brasil fazer esse investimento? Orlando Silva - Vale tanto a pena trazer grandes eventos esportivos que os grandes países disputam para produzir grandes eventos. Veja que a Inglaterra vai realizar a Olimpíada de 2012. Neste ano, a China. Estou falando de dois dos principais países do mundo. E na disputa por fazer 2016 nós temos Estados Unidos, Japão, Espanha, só para falar de alguns países. Se não valesse tanto à pena, seguramente os grandes países, as principais potências, não teriam tanto interesse em realizar esses eventos. BBC Brasil - Mas esses são países, em geral, mais ricos do que o Brasil. Quais seriam os benefícios para o Brasil? Orlando Silva - Para o Brasil é uma oportunidade única de promoção do nosso país. Você sabe, por exemplo, que o turismo é uma das principais indústrias do mundo e que permite a geração de empregos em escala extensiva e a entrada de muitas divisas. O Brasil tem evoluído. Saiu de uns cinco anos de aproximadamente 3 milhões de visitantes internacionais para aproximadamente 6 milhões de visitantes. Mas o número ainda é muito pouco, levando em conta as tradições culturais, as belezas naturais. Então um evento como as Olimpíadas servirá para a promoção do país. O mundo passará a descobrir o Brasil. É um evento de grande visibilidade. E esse é um ponto importante.BBC Brasil - Que outras vantagens existem? Orlando Silva - O esporte é uma prática social muito importante para manter um ambiente social mais integrado, para a educação, para promover a saúde. E um legado que os jogos deixarão para o Brasil é colocar o esporte como centralidade na vida nacional. Acredito também que os jogos olímpicos no Rio de Janeiro vão permitir uma intervenção na cidade que requalifique a cidade. Vai fazer com que façamos investimentos. Uma série de obras que vão transformar a cidade do rio de janeiro como (os jogos) transformaram Barcelona, que era uma antes das Olimpíadas e passou a ser outra depois. Além disso, uma Olimpíada é uma oportunidade para a promoção de marcas do nosso país. Por fim, o que pode gerar de divisas externas, de entradas de recursos, com certeza vale à pena. BBC Brasil - Mas existe o risco de que orçamento estoure, algo que já aconteceu, por exemplo, em Londres, onde os custos das Olimpíadas podem ser até quatro vezes maiores do que o previsto inicialmente. Não pode ficar muito caro para o país, a ponto de que os custos superem os benefícios? Orlando Silva - Precisa controlar esses números. Na Inglaterra, como no Brasil, existem instrumentos para controlar esse processo. Aqui nós temos o Tribunal de Contas, o Congresso. A imprensa também fiscaliza. Acho que a sociedade brasileira tem as instituições para fazer esse controle. Agora, precisa examinar com detalhes o números: os que se referem exclusivamente à organização do evento em si, às instalações, e os valores que incorporam investimentos outros que ocorrem na hora de realizar a Olimpíada. O que tenho examinado é que os projetos crescem por causa de outros projetos que se agregam, como investimentos em transporte, em metrô, e em outras obras para melhorar o desenvolvimento urbano da cidade. BBC Brasil - Mas já existe uma previsão para os custos de 2016 no Brasil? Orlando Silva - Existem números sim, mas eu prefiro não falar, porque qualquer número agora pode se transformar um referência e, adiante, se o número definitivo for maior ou menor vai se especular a partir de uma referência supostamente projetada inicialmente. Então para não atrapalhar e para permitir que as informações sejam consistentes prefiro não falar agora. BBC Brasil - Do ponto de vista dos custos, ajuda os jogos serem no Rio, após o Pan? Orlando Silva - Partimos de uma base instalada bem superior ao que foi a última candidatura, a de 2012. O Rio não possuía tantas instalações. Outra questão importante, o Rio testou o funcionamento de um sistema de segurança que foi muito eficiente. Tivemos 5 mil atletas e quase 10 mil membros de delegações, e tudo transcorreu muito bem. Então esse teste pra gente foi muito importante. O Rio é um dos principais focos também do PAC. BBC Brasil - Quais são as cidades que mais ameaçam a candidatura do Rio? Orlando Silva - Todas são boas Eu ´prefiro trabaçahr pelo rio, mas quem quer que seja terá que apresentar uma condidatura muito forte, porque teremos uma candidatura muito consistente e com o objetivo de vencer.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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