Pela primeira vez, cientistas registram erupção submarina

Uma equipe de pesquisadores conseguiu, pela primeira vez, registrar uma erupção vulcânica submarina, a milhares de metros sob o leito do Oceano Pacífico. O evento é descrito em artigo publicado no sistema de divulgação prévia online da revista científica Science, o Science Express."Nunca antes tivemos instrumentos posicionados dessa forma, que gravaram um evento eruptivo no leito submarino", disse o geólogo Mike Perfit, da Universidade da Flórida.Perfit foi um dos cientistas que visitaram o local da erupção pouco após o evento, a bordo do submarino Alvin. Ele explica que a erupção ocorreu a cerca de 600 km da costa mexicana, ao longo da cordilheira conhecida como Elevação do Pacífico Leste. Felizmente, esta era uma das três áreas selecionadas para pesquisas intensivas, no final dos anos 90. Com isso, os cientsitas já tinham diversos instrumentos instalados no leito oceânico, 2,4 km abaixo da superfície, incluindo mais de uma dezena de sismógrafos.Os pesquisadores recolhem os instrumentos enviando um sinal de rádio que faz com que os aparelhos bóiem até a superfície.Quando uma equipe de pesquisadores visitou a área em abril, para recolher os instrumentos, foi surpreendida pelo fato de que apenas quatro flutuaram, explica Perfit. Três outros responderam ao sinal de rádio, mas recusaram-se a subir. Intrigados, os cientistas usaram equipamentos para analisar as condições do leito oceânico. Descobriram que a água estava anormalmente turva e quente, indicando uma possível erupção. Testes posteriores confirmaram a hipótese. Outra embarcação, melhor equipada, foi enviada ao local e revelou "lava vítrea nova em folha", segundo Perfit.Diferente das erupções explosivas que ocorrem em terra, vulcões submarinos emitem lava lentamente, por conta da forte pressão da água. Essa lava forma estruturas semelhantes a almofadas no fundo do mar.As câmeras enviadas ao local não conseguiram encontrar outras formas de vida na área, além das bactérias que cobriam a lava. Em anos anteriores, a região era um rico ecossistema.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.