Pela proteção do Bonfim, 800 mil vão às ruas na Bahia

Tradicional festejo baiano enfrentou calor de 33ºC em um percurso de 8 km

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

16 Janeiro 2009 | 09h48

O dito popular é claro: "Quem tem fé vai a pé". Ou seja, quem acredita, quer agradecer ou fazer pedidos ao Senhor do Bonfim - ou Oxalá, seu equivalente no candomblé - tem de percorrer os oito quilômetros que separam a Basílica da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, da Colina Sagrada, no topo da qual está a mais famosa das mais de 370 igrejas de Salvador.   Na quinta-feira, 15, 800 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram dos festejos em homenagem a Bonfim, a principal festa religiosa da Bahia. Estima-se que metade dos fiéis e turistas tenha desistido de completar o percurso inteiro sob o sol do verão baiano - ao meio-dia, a temperatura alcançou 33 graus.   A celebração ocorre há 254 anos. Começa com fogos, seguidos da largada da Corrida Sagrada. Logo depois tiveram início as apresentações musicais de grupos populares e um culto inter-religioso, na porta da basílica.   Eram 10h quando 500 baianas deram início oficial ao cortejo. A festa, de fato, é delas. A celebração da Lavagem das Escadarias do Bonfim surgiu do simples ato de lavar os degraus da entrada do templo. A lavagem era feita na quinta-feira anterior à festa católica do Senhor do Bonfim, celebrada no segundo domingo após o Dia de Reis.   Nas quatro horas seguintes, o cortejo percorreu as ruas que margeiam a Baía de Todos os Santos e houve tumulto envolvendo o prefeito, João Henrique Carneiro (PMDB), e um grupo de estudantes que criticavam o aumento do preço da passagem do ônibus na cidade, de R$ 2 para R$ 2,20. Houve conflito entre os manifestantes e os seguranças da prefeitura.   Em nota oficial, João Henrique lamentou o episódio e criticou os manifestantes. "Em vez de tentarem promover a baderna, eles deviam amadurecer", diz o texto.   Ao final do percurso, o padre Edson Menezes, da Igreja do Senhor do Bonfim, esperava os fiéis da janela principal do templo, para dar a eles, pela primeira vez na história da cerimônia, a bênção católica. Seguiu-se a tradicional lavagem, com direito a centenas de banhos de descarrego em fiéis, feitos pelas baianas com ervas aromáticas e alfazema.

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