Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Pelas beiradas

Projeto. Mauricio Queiroz joga com o declive do terreno e cria uma casa para se descobrir aos poucos

Marisa Vieira da Costa/REPORTAGEM e Zeca Wittner/FOTOS,

16 de janeiro de 2011 | 10h00


 

 

 

 

  O jogo de esconde-esconde criado pelo arquiteto Mauricio Queiroz começa já na fachada, onde só uma placa de azulejos com o nome da rua e um número indica que existe uma casa atrás do pequeno jardim e da parede de pedra-madeira. As dissimulações se multiplicam pela construção, resultado de um projeto criativo, implantado em um terreno de 3 mil m², em declive, em um condomínio de Bragança Paulista.

 

Para o tamanho do lote, a casa não é grande: são 600 m² de área construída, sem contar um anexo de lazer. O resto é paisagismo, criado por Gil Fialho. "Antes de começar a obra, o proprietário disse que queria uma casa prática, de uns 300 m² ou 400 m², que não exigisse muita manutenção, já que é o refúgio de fim de semana da família", afirma Queiroz, que ganhou carta branca do cliente para aumentar a metragem.

 

Foi aí que a imaginação do arquiteto correu solta. "Fiz uma brincadeira, uma casa para ir se descobrindo aos poucos." Ele diz que também lidou com o aspecto sensorial, explorando materiais de diferentes texturas - como o mármore travertino bruto, o fulget (granito lavado), a madeira e o vidro - e uma iluminação sutil.

 

Como não há porta nem janelas na entrada, o acesso à casa é feito pelas laterais. Transposto o muro, mais uma surpresa: uma praça com mais paredes de pedra-madeira, algumas soltas, outras saindo do espelho d’água. Nesse labirinto, quatro caixas simetricamente dispostas, cada uma com uma pequena árvore dentro, quebram a aridez do espaço.

 

Ao fundo dessa praça-labirinto, uma construção branca anuncia uma nova etapa da brincadeira. É preciso atravessar a passarela sobre o espelho d’água para chegar ao pórtico que, finalmente, leva ao hall de entrada. Minimalista, o espaço tem apenas um tapete, dois bancos, duas luminárias de papel e um grande painel. Desenhado por Queiroz, é feito de pequenos pedaços de madeira cumaru, cortados de oito maneiras diferentes e encaixados. A outra parede, de espelho, guarda mais um segredo. Ela é, na verdade, uma porta de correr que conduz a duas suítes.

 

Ao descer a linda escada de madeira em caracol que sai do hall de entrada, chega-se ao centro da morada: uma grande sala retangular que abriga estar, home theater e jantar. A partir dela é possível acessar, de um lado, mais duas suítes e, do outro, a cozinha. "Essa escada é a grande escultura da casa", diz Queiroz. "Nós a projetamos de modo que quem está descendo não enxergue a sala lá embaixo."

 

Esse grande living marca o centro intermediário do terreno e guarda uma última surpresa: uma espetacular vista da paisagem, aberta para o lago e para o campo de golfe do condomínio. Fechada por largas portas de vidro, a sala faz divisa com a varanda e com a área da piscina. De lá se avista, ainda, a segunda construção, na parte mais baixa do terreno, acessada não por uma escadaria - o que seria muito óbvio, "e também cansativo", emenda Queiroz, que fez uma arquibancada de madeira para suavizar o desnível. Lá embaixo, o anexo com lounge, spa, sala de ginástica e sauna é um dos espaços favoritos da família, segundo o arquiteto.

 

 

 

 

 

Arquitetura contemporânea, jardins tropicais

 

 

O paisagista Gil Fialho diz que foi um tanto desafiador projetar o paisagismo desta casa em Bragança Paulista. "Era uma área de pasto, sem árvores que pudessem ser aproveitadas", conta. Além disso, a altitude do lugar dificultou o trabalho. "Tinha plantas demais para crescer e eu não queria nada parecido com o que há na maioria das casas do condomínio, como aquele estilo neoclássico, com buxinhos topiados, por exemplo."

 

Fialho, que iniciou a parceria com Mauricio Queiroz assim que este foi contratado pelo proprietário, optou por um projeto tropical, uma das marcas de seu trabalho. "Quis envolver a arquitetura contemporânea do Mauricio com espécies que, além de dar cor, atraem beija-flores. Para mim, aqui não caberia outro tipo de paisagismo que não fosse o tropical", afirma.

 

No jardim da fachada, ele plantou ravenalas "para criar mistério", ixoras e strelitzias reginae. Nas caixas da praça, ipês - tanto fora quanto dentro da água. Na lateral da casa, perto da churrasqueira, três jabuticabeiras formam uma área de sombra e compõem o espaço com strelitzias augusta.

 

Para delimitar o terreno, Fialho usou cerca de hibiscos e cariotas, à esquerda e de palmeiras seaforcea (junto a um viveiro de macaquinhos), à direita. Ambas descem até a parte mais baixa do terreno, onde o paisagista criou uma praça com fogo de chão - "para a garotada se divertir nos dias de frio" - e também plantou helicônias e canteiros de congeias.

 

Pela encosta, fez caminhos de agapantos, colocou um flamboyant que garante sombra, e mais cariotas, cicas e helicônias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.