Pelo menos quatro pessoas sabiam da decisão do papa

Pelo menos quatro pessoas tiveram conhecimento, antes do dia 11, de que o papa Bento XVI renunciaria. Ele comunicou sua decisão com antecedência ao decano da Santa Sé, cardeal Angelo Sodano, ao secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e a seu secretário particular, o arcebispo Georg Gänswein. Além deles, o latinista que traduziu o texto da declaração para o latim - há quatro latinistas na equipe de tradutores do Vaticano - soube da renúncia, horas antes.

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h09

Bento XVI telefonou a seu irmão, padre Georg Ratzinger, para lhe dar a notícia, minutos antes de entrar para a sala do consistório, onde participaria de uma solenidade de canonização de santos. Todos receberam ordem de nada comentar, até que a notícia se tornasse pública.

Nos dias que antecedem 28 de fevereiro, quando Bento XVI entregará o governo da Igreja aos cardeais, canonistas se debruçam sobre documentos históricos e jurídicos para sugerir o título pelo qual ele deverá ser tratado. Segundo fonte do Vaticano que conhece o protocolo eclesiástico, ele talvez seja chamado de papa Ratzinger - e não de ex-papa ou cardeal. Outra hipótese é que receba tratamento de papa renunciante ou resignatário, embora os adjetivos indiquem decisão ainda não acabada. Parecem qualificações pouco apropriadas, uma vez que a renúncia, segundo o Código de Direito Canônico, não depende de aceitação.

Levanta-se a suspeita de que Bento XVI não vá residir definitivamente no Vaticano, onde se recolherá numa casa vizinha de um mosteiro de freiras enclausuradas, após a eleição de seu sucessor. O mais provável é que continue por mais tempo em Castelgandolfo, residência de verão do papa. / JOSÉ MARIA MAYRINK

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