Pelo terceiro dia seguido, governo do Barein é alvo de protesto

Manifestantes tomaram na quarta-feira a capital do Barein para acompanhar o cortejo fúnebre de um homem morto em confronto com as forças de segurança do reino, durante protestos inspirados nas recentes revoluções do Egito e da Tunísia.

CYNTHIA JOHNSTON E FREDERIK RICHTER, REUTERS

16 de fevereiro de 2011 | 10h23

Mais de mil pessoas participaram do cortejo da vítima, baleada durante a procissão fúnebre de outro manifestante, na terça-feira. Cerca de 2 mil pessoas estão acampadas em um importante cruzamento no centro de Manama, exigindo a mudança do governo.

O Ministério do Interior prometeu punir os responsáveis pelas duas mortes se houver provas de que a polícia usou força "injustificável".

Protestos são relativamente comuns no Barein, e a atual onda é motivada por queixas familiares: dificuldades econômicas, falta de liberdades políticas e discriminação da monarquia sunita contra os xiitas, que são maioria da população.

"O povo exige a queda do regime!", gritavam os manifestantes, enquanto os homens batiam ritmadamente no peito, num gesto de luto característico dos xiitas.

Analistas dizem que os distúrbios no Barein podem estimular a minoria xiita da vizinha Arábia Saudita a também se rebelar, o que poderia ter impactos sobre o mercado mundial de petróleo.

O Barein propriamente dito não tem uma produção petrolífera relevante, mas abriga serviços bancários e financeiros importantes na região do golfo Pérsico, além de ser sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA.

Os manifestantes exigem a deposição do primeiro-ministro xeque Khalifa bin Salman al Khalifa, que governa a ilha desde o fim do colonialismo britânico, em 1971.

Por enquanto, porém, os manifestantes não têm cobrado mudanças no topo da hierarquia - o sobrinho do premiê, rei Hamad bin Isa al Khalifa, tem a palavra final no governo do país de 1,3 milhão de habitantes, metade deles estrangeiros.

"Estamos solicitando nossos direitos de forma pacífica", disse o estudante Bakr Akil, de 20 anos, enrolado em um lençol tingido de vermelho, simbolizando sua disposição em morrer pela liberdade.

Mulheres com trajes negros acompanharam a procissão com seus próprios gritos por paz e unidade nacional.

Os xiitas do Barein se dizem discriminados no acesso a moradias, saúde e empregos públicos, e acusam o governo de tentar alterar o equilíbrio demográfico trazendo imigrantes sunitas.

Os ativistas também exigem a libertação de presos políticos, algo que o governo já prometeu, e uma nova Constituição.

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