Pensa que é fácil?

Não pode ser simples. Miojo fica pronto em 3 minutos, mas a massa é frita e o tempero tem sódio demais. A lasanha congelada é rica em gorduras saturadas. O suco de caixinha não tem os mesmos nutrientes que os naturais. Da versão em pó, prefiro nem falar.

Leandro Quintanilha, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2011 | 03h08

Comer bem é mais ou menos o oposto da praticidade. É cuidar de uma hortinha própria na sacada. É comprar frutas e legumes frescos, lavar, descascar, picar, preparar. A alimentação saudável tem muito pouco de contemporânea. Desdenha do freezer, não liga para o micro-ondas, tem horror do semipronto e está pouco se importando se você tem mais o que fazer antes do jantar.

Escrevo esta crônica com fome, ciente de que o melhor a fazer não é simplesmente buscar um pão de queijo com leite de caixinha na lanchonete para me saciar ao computador. Nananinanão. Eu preciso largar o trabalho por meia hora, para encomendar um sanduíche de queijo branco com pão integral e um suco de laranja natural. Tudo feito na hora, no seu tempo. Não no meu.

Escolhas saudáveis dão trabalho e demoram mais. Mesmo quando fazem por você. Experimente pedir que substituam a batata frita pela salada no combo de fast food. Crocantes e calóricas, as batatinhas estão sempre ali, disponíveis no aquecedor, em abundância, para atender à demanda. Mas a saladinha vai tomar alguns minutos adicionais.

E, se você (como eu, que sou vegetariano) cometer a heresia de pedir seu sanduba sem hambúrguer, vai perceber que está alterando a ordem do universo. Isso é o que eu acho mais difícil de entender. Um ingrediente a menos - era para vir mais rápido, não? Não. Porque se está profanando um ritual mecanicista em que a estrela é a carne. E é preciso incluir no cronograma a surpresa- e o ultraje - de quem precisa fazer a subtração: "Como assim sem hambúrguer?!".

Por isso, ao optar pela alimentação saudável, você vai ter de aceitar que vai ter um trabalhinho a mais. Que vai precisar de mais paciência. Que vai ter de se planejar antes. E tudo isso inclui supermercado e feira. E exclui o delivery.

Pois é. Tudo parecia tão mais fácil no desenho dos Jetsons, em que bastava pôr uma pilulazinha no micro-ondas, para se servir, instantes depois, de uma refeição completa. E ainda havia uma empregada-robô para lavar a louça. Mas, bem, diabetes, hipertensão, obesidade, nada disso é prático, né? Fico com o transtorno de ir à feira.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.