Pentágono critica China por falta de transparência militar

A ausência de transparência da China em relação a sua capacidade militar rapidamente crescente gerou incertezas e riscos de erros de cálculo, disse o Pentágono em relatório anual divulgado na quarta-feira.

PAUL ECKERT, REUTERS

25 de março de 2009 | 19h50

O relatório, o primeiro feito na administração Obama, saiu semana depois do incidente entre embarcações chinesas e um navio de vigilância da Marinha norte-americana no Mar do Sul da China, elevando as tensões sobre as atividades militares da China nas proximidades de sua costa.

"Há muita incerteza em relação ao rumo futuro da China, especialmente no tocante a como pode ser usado seu poderio militar crescente", disse o relatório sobre o poderio militar chinês, que foi apresentado ao Congresso norte-americano.

De acordo com o relatório, a China vem fazendo avanços em negar acesso a outros países a áreas ao largo de sua costa e está aperfeiçoando suas capacidades de guerra nuclear, espacial e cibernética, ao mesmo tempo aumentando um pouco a transparência de suas forças militares. O relatório observou as potenciais implicações globais dessa tendência.

O Exército de Libertação do Povo "não deixou claro para a comunidade internacional os objetivos e finalidades de sua doutrina e capacidades em evolução", acrescenta o relatório.

Ainda segundo o relatório, o primeiro redigido na administração Obama, os riscos para os Estados Unidos e seus aliados na região do Pacífico surgem das estatísticas incompletas sobre os gastos chineses com a Defesa e ações que parecem incoerentes com suas políticas declaradas.

"A transparência limitada sobre os assuntos militares e de segurança da China cria riscos à estabilidade, ao gerar incerteza e elevar o potencial de erros de compreensão e cálculo", disse o relatório.

De acordo com um funcionário de alto escalão da Defesa norte-americana, a superpotência asiática pode mitigar as preocupações e promover a transparência através de discussões entre o setor militar chinês e o dos EUA e da publicação de documentos de defesa e outros mais completos.

Pequim normalmente critica o relatório do Pentágono, dizendo que ele faz um retrato injusto da China como ameaça militar, sendo que o país estaria comprometido com "uma ascensão pacífica", à medida que cresce seu poderio econômico.

O relatório observou que o incidente naval recente entre as duas partes aconteceu perto da ilha de Hainan, onde a construção de uma base naval confere à Marinha chinesa acesso às rotas marítimas internacionais e permite o envio oculto de submarinos para o Mar do Sul da China.

"A base parece ser grande o suficiente para abrigar um misto de submarinos de ataque e de mísseis balísticos e navios de combate avançados de superfície", segundo o relatório.

A análise do Pentágono disse que a China está desenvolvendo armas que vão desabilitar a tecnologia espacial de seus inimigos, como seus satélites, e que o país está aumentando suas capacidade de guerra eletromagnética e cibernética.

Ainda segundo o relatório, a China continua a modernizar seu arsenal nuclear, aprimorando sua frota de submarinos com mísseis balísticos de modo a elevar sua capacidade de ataques estratégicos. O programa chinês de pesquisas com porta-aviões reforça a intenção de sua marinha de construir vários porta-aviões até 2020, acrescentou o documento.

Mais conteúdo sobre:
PENTAGONOCHINARELATORIO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.