Pentágono estuda efeito da falta de sono no cérebro

A falta de sono causa problemas parecidos com o consumo de álcool: falta de atenção, de memória e da capacidade de conduzir veículos. Essas são algumas das conclusões de pesquisas financiadas pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos sobre os efeitos da falta de sono no cérebro, principalmente na capacidade de tomada de decisões, e sobre quanto tempo é necessário para o organismo se recuperar de um período prolongado de vigília. Os estudos foram conduzidos pelo cientista Sean Drummond, juntamente com a Universidade da Califórnia San Diego e do Sistema de Saúde dos veteranos em San Diego.O programa de pesquisa médica do Pentágono, que financia trabalhos como o de Drummond, foi instituído pelo Congresso americano em 1999. Desde sua criação e até 2005, gastou US$ 300 milhões em 200 projetos.No caso da pesquisa sobre o sono, Drummond recrutou 40 voluntários com bons hábitos de sono, que concordaram em viver num laboratório por seis dias. Durante a estadia, os voluntários tiveram dois dias com ciclo normal de sono e vigília, depois ficaram acordados por 64 horas e, sem seguida, puderam voltar a dormir.Nas horas de vigília, os voluntários passaram por um programa de aprendizado de meia hora, além de testes de memória e de tomada de decisão a cada duas horas, para ver como eram afetados nos diferentes estágios da privação de sono. Um teste, por exemplo, envolvia memorizar uma lista de substantivos. Os cientistas também usaram ressonância magnética para mapear as reações do cérebro. A pesquisa mostrou que a memória de trabalho dos voluntários não sofre após 36 horas sem dormir porque outras regiões do cérebro são ativadas para ajudar. "O cérebro pode compensar para esse nível de privação de sono. Áreas que normalmente não se ativam quando uma pessoa está descansada entram em ação quando a pessoa está com falta de sono", disse Drummond. Após 60 horas, porém, a maioria dos voluntários não se saiu tão bem nos testes como na marca das 36 horas. Depois de dois dias e meio, o cérebro não tinha mais onde buscar ajuda. A pesquisa também mostrou que a recuperação após 64 horas sem dormir envolve mais que uma boa noite de sono. "Descobrimos que, para algumas das tarefas, as pessoas não voltam ao normal nem depois de duas noites bem dormidas, mesmo elas tendo perdido apenas duas noites de sono", disse Drummond.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2006 | 14h29

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