Pequeno mamífero dá aulas aos filhotes, descobrem cientistas

Não chega a ser álgebra ou química, mas suricatas - pequenos mamíferos, semelhantes a fuinhas ou guaxinins - esforçam-se para ensinar os filhos, um comportamento raro entre animais silvestres. Filhotes de diversas espécies aprendem observando os membros mais velhos do grupo, mas é incomum ver adultos esforçando-se para ensinar.Pesquisadores da Universidade de Cambridge observaram suricatas apresentando presas aos filhotes gradualmente, mostrando-lhes como lidar com insetos capturados e, até, removendo os ferrões dos escorpiões antes de oferecê-los aos pequeninos."Embora houvesse informes esparsos sobre ensino em espécies que vão do chimpanzé à baleia assassina, até este ano havia falta de evidência sólida", disse Alex Thornton, um dos autores do trabalho, que será publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.As suricatas têm cerca de 30 centímetros de comprimento, além de ter uma cauda de quase 20 centímetros e pesam por volat de um quilo. Vivem em grupos."Suricatas são a espécie ideal para o estudo dessas questões, porque comem um monte de presas diferentes, incluindo lagartos, escorpiões, aranhas e pequenos mamíferos, que são bem difíceis para os filhotes administrar", disse Thornton. Embora a evidência de aprendizado na natureza seja rara, Thornton diz que "minha impressão é de que o ensino é muito mais comum do que supúnhamos. Acho que o ensino é provavelmente muito comum em espécies onde jovens dependentes precisam aprender habilidades complexas. Ensinar a caçar, por exemplo, deve ser comum entre felinos e aves de rapina".O cientista diz esperar estudos sobre o ensino entre insetos sociais. "O importante é considerar sob quais condições poderemos esperar que um animal promova ativamente o aprendizado de outro".Há inúmeros exemplos de animais que aprendem por imitação, disse ele, citando a disseminação do comportamento de abrir garrafas de leite entre os pássaros britânicos como um exemplo. A diferença é que, nesses casos, o animal "professor" não adota nenhum comportamento novo para ajudar os demais a prender.

Agencia Estado,

13 de julho de 2006 | 16h07

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