Peregrinos argentinos não conseguem comprar dólares

Os peregrinos da Argentina que participarão da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio, não conseguem comprar dólares nem reais para a viagem. Grupos católicos denunciam que a Administração Federal de Rendas Públicas (Afip), equivalente à Receita Federal do Brasil, não autoriza a venda de divisas para os mais de 42 mil jovens que viajarão ao País.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 13h53

Para reduzir a fuga de divisas e a queda das reservas, o governo aplica medidas de restrições ao câmbio. Em 2012, a partir de março, a compra de divisas estava permitida somente para o turismo, algumas importações e casos específicos pedidos ao Banco Central e à Afip. Porém, depois do verão de 2013, as restrições aumentaram para o turismo, até mesmo nos saques e gastos com cartões no exterior.

Com Francisco, que é argentino e ex-cardeal de Buenos Aires, a JMJ ganhou interesse especial dos fiéis católicos do país. O maior grupo de peregrinos viajará nesta sexta-feira, 19, e, até o momento, não conseguiu comprar reais para pagar os gastos com comida e alojamento. O caso foi denunciado por diversas organizações católicas e grupos paroquiais.

"Preenchi corretamente o formulário exigido pela Afip para solicitar autorização para a compra de dólares e me negaram várias vezes, até um valor mínimo de mil pesos, que dariam somente US$ 183", reclamou a peregrina Florencia Papagni, em entrevista à emissora de TV TN. O câmbio oficial é cotado a 5,39 pesos (compra) e 5,45 pesos (venda)

Florencia disse que a Afip alegou que ela não pôde comprovar recursos suficientes para a compra. Porém, Florencia afirmou que tem salário e toda a renda foi comprovada. A Agência de Informação Católica Argentina (Aica) afirmou que a maioria dos fiéis não recebeu autorização para a compra de divisas, apesar de a administração federal ter declarado a JMJ "de interesse público". De acordo com a Aica, a declaração tinha o objetivo de facilitar as operações de câmbio para os peregrinos, conforme negociações entre as autoridades da Afip e o núncio apostólico na Argentina, monsenhor Emil Paul Tscherrig, e o delegado da Pastoral da Juventude, monsenhor Raúl Martín.

Porém, a medida não foi publicada e as compras legais de dólares foram permitidas para apenas algumas arquidioceses. A maioria dos fiéis recorre ao mercado paralelo, onde o dólar custa muito mais caro e é operado sob severa vigilância oficial. Nesta quinta-feira, a moeda nessas casas era cotada a 8,66 (compra) e 8,75 (venda). O governo da Argentina ainda não confirmou oficialmente, mas fontes do Poder Executivo indicaram que a presidente Cristina Kirchner aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff para participar das solenidades e missas durante a visita do papa à capital fluminense.

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