Perez e Senna já dizem a que vieram na F1

Mesmo que o GP de domingo na Malásia seja lembrado no futuro como uma aberração, com a improvável vitória de Fernando Alonso pela Ferrari, ele poderá se tornar um momento definidor para as carreiras do mexicano Sérgio Pérez e do brasileiro Bruno Senna.

ALAN BALDWIN, REUTERS

26 Março 2012 | 09h59

Numa corrida com muita chuva, que também pode ter precipitado a demissão de Felipe Massa da Ferrari, os dois novatos latino-americanos se destacaram.

"Ele foi uma revelação", disse Martin Whitmarsh, diretor da McLaren, sobre Pérez, que ficou em segundo lugar com a Sauber e se tornou o primeiro mexicano no pódio da F1 em 41 anos. "Imagino que ele tenha colocado um pouco de pressão sobre o senhor Massa, esse é o meu palpite", disse Whitmarsh, com sorriso maroto, à TV britânica Sky.

"Não sei quais são as chances de que ele troque de equipe antes da China, mas acho que deve haver alguma consideração aí", acrescentou Whitmarsh.

Cínicos dizem que o fato de Pérez, de 22 anos, não ter ultrapassado Alonso nas últimas voltas da prova reforçam suas chances de ser contratado pela Ferrari. Com o resultado, Alonso assumiu a liderança do mundial.

O mexicano também tem contrato com a Ferrari, como membro da academia de jovens pilotos da equipe italiana, e eventualmente faz testes num simulador ferrarista. Além disso, a Sauber usa motores da Ferrari.

Apesar das suspeitas, porém, não há evidência de manipulação, e o dirigente Peter Sauber negou ter dado ordens para que seu piloto aliviasse o ritmo.

Seja como for, o segundo lugar de Pérez anuncia o surgimento de um verdadeiro talento, e será um chamariz para a estreia da F1 em Austin, no Texas, Estado norte-americano vizinho ao México, em novembro. Por coincidência, os EUA são o maior mercado de exportação dos carros de passeio da Ferrari.

Situação inversa vive o brasileiro Massa, que terminou o GP da Malásia em 15º lugar, depois de abandonar a prova de abertura da temporada, em Melbourne.

Massa não sobe ao pódio desde 2010, e as especulações sobre uma demissão dele se acentuam a cada prova, embora a Ferrari trate de desmenti-las.

Senna, sobrinho do falecido tricampeão Ayrton, acabou sendo o brasileiro mais rápido na prova. Depois de bater na largada e sair em último no reinício da prova, ele conseguiu a sexta colocação.

Seus oito pontos são mais do que tudo que a Williams conseguiu na temporada passada. Mas foi a forma de conquistá-los que mais chamou a atenção.

O fato de ultrapassar Michael Schumacher, grande rival de Ayrton, foi rico em simbolismo e mostrou que Bruno pode não ser apenas um piloto que chegou à F1 graças a um bom patrocínio.

"Pela primeira vez agora acredito que Bruno Senna possa se firmar na Fórmula 1", declarou o ex-piloto Martin Brundle, comentarista da Sky. "Não havia visto até agora nada que me convencesse desta maneira."

O terceiro dos 20 GPs da temporada está programado para 15 de abril, na China.

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