Perfil nutricional dos alimentos preocupa Anvisa

O primeiro estudo sobre o perfil nutricional dos alimentos, divulgado hoje pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), revelou que alguns dos produtos mais consumidos pelos brasileiros estão longe da alimentação saudável. "A preocupação é maior porque o excesso desses nutrientes está diretamente ligado à obesidade e ao crescimento das doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas no coração", afirmou Maria Cecília Brito, diretora da Anvisa.

LISANDRA PARAGUASSÚ, Agência Estado

18 de novembro de 2010 | 19h47

Apenas um pacote de macarrão instantâneo tem mais sódio do que uma pessoa deveria consumir em um dia inteiro. Sucos e néctares de fruta, que muitos bebem como uma alternativa saudável, têm mais açúcar do que os refrigerantes e um pacote de batatas fritas quase esgota o limite de gorduras saturadas que deveriam ser ingeridos em um dia.

O perfil nutricional mostrou, por exemplo, que apenas um hambúrguer bovino tem 825 miligramas de sódio, quando o máximo que uma pessoa deveria consumir em um dia seria 2.400 miligramas. Um sanduíche, acompanhado de um refrigerante light e uma porção de batata frita já passaria da metade do consumo diário.

A pesquisa, no entanto, revelou que há diferenças imensas entre marcas de um mesmo tipo de produto. Uma marca de batata palha pode ter 14 vezes mais sódio do que outra; um salgadinho de milho, 10 vezes mais gordura saturada e 12,5 vezes mais sódio do que um de marca diferente; uma marca de biscoito recheado, 6,3 vezes mais gordura que outro.

"Existem alimentos iguais mas que são menos saudáveis que outros. O que podemos dizer para a população é que olhe os rótulos. Não podemos colocar um ''A Anvisa Recomenda'', mas o consumidor tem informações para fazer a melhor escolha", afirma a diretora da Anvisa.

Redução

No final deste mês, a agência e o Ministério da Saúde vão se reunir com representantes da indústria alimentícia para tentar definir metas de redução de sódio, açúcares e gorduras saturadas nos alimentos, da mesma forma que foi feito com a gordura trans e que, hoje, está quase ausente da maior parte dos alimentos industrializados.

No caso desses três nutrientes, há, de acordo com a Anvisa, outras dificuldades. Uma delas é a tecnologia. O sódio, por exemplo, é usado, em muitos casos, como conservante. "Mas pelas diferenças que encontramos entre os produtos, podemos ver que é possível uma redução gradual", diz Maria Cecília.

Outra dificuldade é o paladar do brasileiro, acostumado a comidas bem temperadas e bebidas, biscoitos e outros produtos muito adocicados. "Se simplesmente exigirmos uma modificação imediata da composição, não vai adiantar. As pessoas simplesmente vão colocar sal ou adoçar", analisa Denise de Oliveira Resende, gerente geral de alimentos da Anvisa. "É preciso um processo de reeducação."

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