PERFIL-Tri de Roland Garros, Guga foi o maior tenista do Brasil

Vinte títulos em simples, oito emduplas, 43 semanas como líder do ranking mundial. GustavoKuerten obteve conquistas sem precedentes na história do tênisbrasileiro e difíceis de serem superadas. Nenhum outro tenista do país chega perto dos números deGuga. Entre os melhores, segundo dados da Associação dosTenistas Profissionais (ATP), estão Thomaz Koch, com um títuloe o 24o lugar no ranking, em 1974, e Luiz Mattar, sete títulose 29o como melhor colocação, em 1989. Guga, que fora das quadras é surfista, músico e torcedorfanático do Avaí, conquistou seu primeiro título em 1997, e foilogo em um Grand Slam. Ele levantou a taça de Roland Garros aos20 anos, derrotando surpreendentemente três ex-campeões--Thomas Muster, Yevgeny Kafelnikov e Sergi Bruguera. Em 1998, Guga conquistou os campeonatos de Mallorca eStuttgart, e no ano seguinte venceu em Roma e em Monte Carlo,todos no saibro, seu piso favorito. O ano de 2000 foi marcante para o brasileiro. Foram cincotítulos em sete decisões, incluindo o bicampeonato em RolandGarros. De novo Guga teve que passar por Kafelnikov e na finalenfrentou o sueco Magnus Norman, um de seus principais rivais àépoca. O jogo foi acompanhado por muitos brasileiros, quechegaram a soltar fogos no Brasil após a vitória docatarinense, gesto comum para o futebol, mas inédito para otênis. No fim daquele ano, veio o ponto alto da carreira de Guga,que teve nas mudanças de visual do cabelo --de raspado atrancinhas-- uma das marcas registradas de sua carreira. Na Masters Cup de Lisboa, o brasileiro venceu osnorte-americanos Pete Sampras e Andre Agassi em partidasseguidas, conquistou o torneio e terminou o ano como o líder doranking. "Estou muito orgulhoso de mim mesmo e de ser brasileiro.Tenho certeza de que fiz um domingo feliz para todos e paramim. É o dia mais feliz da minha vida", disse Guga após aqueletítulo. Na comemoração, ele fez uma homenagem à sua mãe, Alice,que assim como a avó Olga costumava acompanhar partidas dotenista, que sempre teve laços familiares muitos fortes. Ainda em 2000, ele ajudou o Brasil a alcançar a semifinalda Copa Davis. Em 2001, Guga foi ainda melhor, conquistando seis títulosem oito decisões, cinco deles no saibro, incluindo otricampeonato de Roland Garros. Após superar o espanhol Alex Corretja na decisão em Paris,Guga desenhou um grande coração na quadra e deitou-se dentrodele, além de escrever na camiseta "Eu amo Roland Garros" (emfrancês), para delírio da torcida que o empurrava a cada jogoaos gritos de "Allez Guga!". DUAS CIRURGIAS Guga aparecia em todos os torneios com destaque até passarpela primeira cirurgia, em fevereiro de 2002. O catarinensesentia fortes dores na região do quadril direito e resolveu sesubmeter a uma operação nos Estados Unidos. Ele voltou a jogar dois meses depois e perdeu ainvencibilidade de 17 jogos em Roland Garros ao ser eliminadona quarta rodada por Albert Costa, que se sagrou campeão maistarde. Seu único título naquele ano foi no Brasil Open, aovencer o argentino Guillermo Coria numa final emocionante, emque teve que salvar match point para ganhar. Em 2003, Guga conquistou dois títulos, em Auckland e SãoPetesburgo, seu primeiro no carpete. Ele voltou a ganhar um título no saibro após quase trêsanos em 2004, no Brasil Open, mas parecia estar sem ritmo, seusgolpes não saíam como antes, a dor persistia. A segundacirurgia era inevitável e ocorreu em setembro. Desde então, Guga não mostrou nem resquício de seu melhortênis e, em 2005, terminou fora dos 100 primeiros do rankingpela primeira vez desde 1995. Naquele ano, rompeu com o técnicoLarri Passos após 15 anos de parceria. Em 2006, Guga disputou apenas um torneio, e acabou sendoeliminado na estréia do Brasil Open. Jogou partidas de dupla naCopa Davis, mas uma série de contusões indicava que suaaposentadoria estava próxima. No ano passado foram apenas 12jogos, com oito derrotas. PARCERIA COM LARRI Sem a presença do pai, Aldo Kuerten, que morreu em 1985, afigura paterna na vida do tenista foi representada durantemuitos anos pelo técnico Larri Passos. Os dois começaram a trabalhar juntos em 1990. Foram 15 anosde parceria, até o anúncio da separação, em 2005. "Tudo o que eu fizer vai ter a mão do Larri, pois foi elequem me descobriu e me fez jogador. E apesar de não termos maisum relacionamento profissional, o carinho e a amizade vãoexistir sempre, porque o Larri é como um pai para mim",declarou o catarinense em 2005. Disciplinador, Larri formou com Guga uma dupla de sucesso.Todos os títulos do tenista foram conquistados com o técnico.Em setembro de 2006, Guga anunciou a retomada da parceira com oantigo treinador, que teve o desafio de comandar seu pupilo nosúltimos torneios de sua carreira. Na turnê de despedida, o brasileiro acumulou derrotas ehomenagens e dizia estar curtindo os últimos momentos nocircuito profissional de tênis. No fim do ano passado, Guga ainda sofreu uma dura derrotafora das quadras: a morte de seu irmão mais novo, Guilherme,que tinha paralisia cerebral e microcefalia. O irmão foi ainspiração para o Instituto Guga Kuerten.

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