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Permitido estacionar food truck aqui

A Câmara aprovou e agora falta só o prefeito sancionar projeto de lei para que furgões, carrinhos e barracas de comida ganhem as ruas. Ao lado de pipoqueiros e vendedores de milho, restaurantes avançam para ocupar o meio-fio

José Orenstein, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2013 | 02h23

O prefeito Fernando Haddad deve receber nesta quinta-feira, 5, o projeto de lei que legaliza a venda de comida de rua na cidade de São Paulo. Ele tem 15 dias úteis para aprovar ou vetar a norma, que na última semana foi aprovada em segunda votação na Câmara Municipal.

A lei regulariza furgões de comida - ou, como prefere a terminologia da moda, os food trucks, que já aparecem aqui e ali, em espaços privados. Além deles, o projeto também regulamenta a situação de carrinhos como os de pipoca, milho, cachorro-quente e também barracas como as de pernil e as que servem até café da manhã.

Atualmente, apenas os vendedores de cachorro-quente têm autorização para estar na rua, mas desde abril de 2007, nenhuma nova licença é emitida.

A regularização da venda de comida de rua foi iniciativa do vereador tucano Andrea Matarazzo endossada por vereadores de outros partidos, Floriano Pesaro (PSDB), Arselino Tatto (PT), Ricardo Nunes (PMDB), Antonio Goulart (PSD) e Marco Aurélio Cunha (PSD).

Onda. Com o rumor da aprovação do projeto rolando desde setembro - e a moda de comida de rua crescendo pelo mundo todo -, alguns chefs e restaurantes paulistanos começaram a se movimentar para ocupar as ruas com furgões e carrinhos.

O chefs Márcio Silva e Jorge Gonzáles vão lançar neste domingo, na Vila Madalena, o Buzina Food Truck - um furgão que vai vender pratos variados. A adaptação do veículo consumiu R$ 300 mil. Márcio foi proprietário do restaurante Oryza, em Higienópolis, que fechou as portas em setembro de 2012 e Jorge Gonzales passou pela cozinha do D.O.M., de Alex Atala. A ideia do food truck os animou pela perspectiva de redução de custos e agilidade na produção. Eles pretendem servir pratos que custem entre R$ 10 e R$ 25.

Outros chefs já manifestaram intenção de ir às ruas, entre eles Henrique Fogaça, do Sal, e Raphael Despirite, do Marcel. O bar Astor deve seguir a mesma rota em breve (leia abaixo).

E casas como o tradicional La Casserole, Dalva e Dito, PJ Clarke's, também já anunciaram planos de levar carros de comida para rodar na cidade.

Bob Iser, dono da loja de customização de carros que leva seu nome, conta já ter sido procurado por uma hamburgueria e uma lanchonete de cachorro-quente. Ele montou o food truck do Astor e está preparando um veículo puxado por uma espécie de triciclo para a venda de sanduíches e sorvetes. E conta que para transformar uma van usada num food truck gasta-se entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Já um carro zero adaptado pode sair por R$ 160 mil. "Depende dos acessórios. E a lei ainda não especificou o que é permitido e o que é proibido nas instalações. Um botijão de gás dentro do carro, por exemplo, é uma solução econômica", diz. Ele explica que é preciso implantar no veículo um sistema para armazenamento de água, estocagem de lixo e geração de energia - o food truck pode chegar a ser totalmente autossuficiente. "Estamos ainda longe da tecnologia que o pessoal está desenvolvendo nos Estados Unidos, mas daqui a pouco a gente chega lá."

Ambulantes. Mas quem já está hoje na rua mostra-se preocupado com os possíveis desdobramentos da nova lei. "Ela é positiva até certo ponto", diz o dogueiro Gabriel, que trabalha há nove anos na rua. "Tem um monte de macetes que esses chefs e restaurantes podem fazer para burlar a limitação a um CNPJ por carro. Tem um monte de dogueiro das antigas, que já correu e apanhou do rapa que vai querer entrar em algumas regiões da cidade, tipo a Avenida Paulista. E aí quero ver se o pessoal que tem mais estrutura vai ter mais facilidade para ocupar a rua", afirma.

Na semana passada, o pipoqueiro Antonio e um senhor que vendia bebidas num isopor em frente ao Anhembi não tinham conhecimento da lei recém-aprovada. Mas temiam a burocracia e o gasto que teriam para regularizar suas atividades. "Não se pode esquecer que vender comida na rua já é um meio de sobrevivência para muita gente", diz Gabriel.

O assessor jurídico do gabinete de Matarazzo, Lucas Baruzzi, um dos responsáveis pela elaboração do texto da lei, diz ter sido procurado por diversos comerciantes de rua que estão na ativa interessados e preocupados em saber como proceder com a nova norma.

"Estamos partindo quase que do zero com esse projeto. Aos poucos, com a prática, podemos ir acertando de acordo com as necessidades de quem está na rua. A ideia é fomentar uma economia criativa na cidade", diz Lucas.

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