'Personalização deve ser a premissa básica do online'

Veja trecho de entrevista do professor de Harvard Fernando Reimers

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h07

Embora faça a ressalva de o uso da tecnologia na educação não é um fim em si mesmo, o professor de Harvard Fernado Reimers é um entusiasta das possibilidades dos recursos online, especialmente na personalização do ensino. Veja trecho da entrevista concedida por ele na semana passada a um grupo de jornalistas convidados pelo Portal Porvir, observatório de iniciativas inovadoras em educação.

O uso de recursos online em sala de aula pode ajudar as escolas a reeditar os currículos, voltando o foco para os conteúdos realmente essenciais?

Acho que há muita coisa promissora em tecnologia, se você tiver clareza de objetivos. Não acho que a tecnologia seja um fim em si mesma, mas acho que é um mecanismo poderoso. Estou animado com as possibilidades que a tecnologia em geral e o ensino online em particular podem criar.

Uma das premissas básicas sobre as quais precisamos pensar no online é a personalização. Essa noção de que todo mundo precisa aprender a mesma coisa, no mesmo ritmo e na mesma sequência é absurda. Só fizemos isso porque foi a única maneira que inventamos de educar grandes contingentes de pessoas. A segunda premissa é reduzir custos. Nos Estados Unidos, por exemplo, só metade da população que pode ir à universidade chega lá de fato. E a razão para isso é que o o modelo de negócios das universidades americanas é excludente. O terceiro pilar, derivado da personalização, é flexibilidade. Na pós-graduação em Harvard, por exemplo, temos uma proposta arrogante. A de que quem quiser estudar tem de vir ao câmpus por um período de tempo e só fazer aquilo. Isso não serve para a maioria das pessoas, que têm empregos, famílias.

Até onde se pode chegar na questão da personalização?

No modelo personalizado, a instituição pode avaliar o que você sabe, quais são seus pontos fortes, como você aprende melhor e prescrever um programa que faça sentido para você - aliás, talvez esse programa não seja prescrito no primeiro dia, mas ajustado à medida que você avança. Há outro divisor de águas: por que outra pessoa deve definir qual caminho você deve seguir? Hoje certificamos o que as pessoas sabem com credenciais que não significam muita coisa, um diploma em Engenharia ou Negócios...

E se começarmos a certificar outras competências que as pessoas têm, sair de um diploma macro para outro micro, sobre habilidades específicas como saber comunicar ideias para pequenos grupos ou negociar conflitos? Empregadores vão dizer: estamos interessados nestas competências, mostre quais você tem, não interessa como as conseguiu. Acho que em algum ponto chegaremos a isso. /Sergio Pompeu

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