Peru vai processar universidade por relíquias de Machu Pichu

Governo quer recuperar peças retiradas das ruínas de Machu Picchu em 1911.

Dan Collyns, BBC

10 Novembro 2008 | 09h36

O governo do Peru pretende processar a Universidade de Yale, nos Estados Unidos, para recuperar dezenas de milhares de artefatos do famoso sítio arqueológico de Machu Pichu, de acordo com a imprensa oficial peruana. As relíquias foram levadas para os Estados Unidos em 1911, quando a antiga cidade inca foi descoberta pelo explorador americano, Hiram Bingham, acadêmico de Yale. O governo peruano indicará um promotor público para supervisionar o trâmite da ação judicial. Thomas Conroy, um porta-voz da Universidade de Yale, disse se disse desapontado com a iniciativa e que o processo não vai atender aos interesses públicos ou à posteridade. As autoridades do Peru e a universidade vêm negociando há anos a posse das relíquias e o ponto mais controvertido é o número exato de peças levadas pelo explorador com a autorização do governo peruano da época. Os peruanos dizem que a universidade tem mais de 45 mil peças, entre itens de cerâmica, tecidos e jóias que foram emprestadas para Yale imediatamente depois da descoberta das ruínas com a condição de que fossem devolvidas um ano depois. Mas representantes de Yale alegam que o número de itens é menor e que fez ofertas razoáveis para devolver alguns deles. Esta não é a primeira vez que o Peru ameaça processar Yale e ainda não está claro quando ou onde o caso será levado à Justiça. Mas o Peru, no passado centro do império colonial espanhol na América do Sul, está cada vez mais confiante e persistente na exigência da devolução de artigos que pertencem a sua herança cultural. Machu Picchu data do século 15, e é a maior atração turística do Peru. O governo peruano havia dito que queria a devolução das peças a tempo para comemorar o centenário da descoberta das ruínas, em 2011. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.