Peruche quer voltar a ser a 'coqueluche' do carnaval

Atual campeã do Grupo de Acesso, a Unidos do Peruche mantém os pés no chão e tem como principal objetivo este ano permanecer no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. A escola, que vai abrir a festa na capital paulista, entrará na avenida com um desfile "sem nada exagerado, mas com tudo bem-feito", segundo definiu o carnavalesco Raul Diniz. O carnavalesco afirma que a expectativa é de que a escola do bairro Casa Verde, na zona norte da cidade, resgate suas performances das décadas de 60 e 70, quando, segundo ele, era a "coqueluche" do carnaval paulistano. "Aos poucos, a escola volta aos seus velhos tempos, depois de um período de problemas de infraestrutura", diz. Diniz afirma que os objetivos são mostrar um "carnaval de primeira" e permanecer no grupo especial. Ele diz, porém, que o fato de se preocupar em permanecer na elite dos desfiles não impede a escola de sonhar alto e se imaginar levantando a taça de campeã pela primeira vez em 54 anos de existência da agremiação. "Afinal, nada é impossível", afirma. Para isso, os 3.200 passistas abrirão os desfiles, hoje, às 23h15, cantando o samba-enredo "Do Ventre da Terra à Indomável Cobiça do Homem", composto por Rodrigo Atração, Tuca Maia, Mineiro, Gordinho e Digão e puxado por Leandro Alegria e Bernadete. As 25 alas e os cinco carros alegóricos irão contar o papel das joias nas diferentes civilizações e a cobiça do homem por esses objetos. Diniz, que está de volta este ano à Unidos do Peruche depois de uma temporada na rival X-9 Paulistana, conta que a ideia do samba-enredo já existia "há algum tempo" e foi escolhida devido "à possibilidade de inovação nas fantasias e de abusar na criatividade". Como destaque, ele aponta os próprios passistas da escola. "Celebridades são os componentes, que batalham pra caramba durante todo o ano", diz. Aos foliões que estiverem no Sambódromo do Anhembi, zona norte de São Paulo, o carnavalesco chama a atenção para o cortejo da Xica da Silva, que trará passistas em uma espécie de apresentação teatral na avenida, "muito usada em carnavais de anos atrás". "É uma novidade que não é novidade", brinca. "O cortejo resgata algo que se fazia há muito tempo. Hoje o carnaval está muito ligado ao gigantismo e, com isso, se perdeu o romantismo, ali, no chão." Na opinião de Diniz, além de "frio", o carnaval está, particularmente em 2009, um tanto "estranho". Para ele, o principal motivo disto são problemas com a falta de dinheiro nas agremiações, agravada pela crise financeira internacional. "Tive que fazer adaptações para adequar ao orçamento da escola. Deixamos de fazer algumas coisas para fazer outras, mas isso não vai influenciar no desempenho da escola", conta. "Se não tem no bolso, temos que tirar da cabeça." Confira a seguir a letra do samba-enredo da Unidos do Peruche,composto por Rodrigo Atração, Tuca Maia, Mineiro, Gordinho e Digão: "Do Ventre da Terra à Indomável Cobiça do Homem" Sou raça quilombola sou Peruche Sou afrobrasileiro com amor Meu canto ecoa forte na avenida E hoje vou mostrar o meu valor África terra de amor de luta e paixão Berço de uma nação que mostra o seu real valor Lágrimas de sangue derramou. Mas um novo tempo aconteceu Em solo brasileiro aportou Num caminho de grandes jornadas Da herança de Xangô um reino se formou Nasceu Zumbi, o rei de Palmares Guerreiro de um povo negro ... a luz da liberdade Espalhando raízes, semeando a cultura Num cultivo de glória, colhendo proteção Surgiu assim uma nação Tem negro quilombola nesse chão Vem no jongo de Angola No batuque da fé Capoeira é dança na luta contra o mal Assim a liberdade então raiou ... o sonho se realizou Uma nova era começou Abrindo os corações de novas gerações Na busca de seus ideais o negro ainda sonha com igualdade Tem quizomba no terreiro tem baluartes e batuqueiros Cordão é festa popular E hoje o meu samba é universal Nas cores do Brasil vem coroando o carnaval

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

20 de fevereiro de 2009 | 10h03

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