Peso da gasolina desafia os engenheiros

Modelos terão de ser eficientes com 10 kg de combustível na classificação e 180 kg no grid

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2010 | 00h00

Pilotos, projetistas e dirigentes já afirmaram: o desafio de engenharia, este ano, para produzir um carro veloz e constante no início das corridas, com 180 quilos de gasolina, e no fim, com o tanque quase vazio, por conta da proibição do reabastecimento de combustível, exigirá grande aprendizado de todos.

Essa realidade técnica da Fórmula 1 lança sobre a apresentação do novo carro da Mercedes, segunda-feira, via internet, ainda maior interesse. A equipe do supercampeão Michael Schumacher será a primeira a apresentar seu modelo 2010. Com certeza, os profissionais da Fórmula 1 vão procurar compreender as respostas do competente engenheiro inglês Ross Brawn, diretor-técnico da Mercedes, aos complexos desafios propostos este ano.

"Acredito em respostas bem diferentes dos projetistas. A consequência imediata de dobrar o volume do tanque é tornar os carros muito longos, o que não convém, pois gera perda de desempenho", explica Adrian Newey, da Red Bull, o mais criativo dos engenheiros da Fórmula 1. "Tornar o tanque mais alto elevaria o centro de gravidade do carro, o que é ainda mais comprometedor."

É por isso que Schumacher já adiantou: "É impossível falar em disputar o título até conhecermos o potencial da Mercedes. A mudança do regulamento faz com que não haja nenhuma garantia de que o time poderá reproduzir o modelo de sucesso do ano passado." Mercedes é o novo nome da Brawn GP, campeã com Jenson Button, em 2009, e entre os construtores.

Os projetistas vão tentar não conceber um carro muito longo entre-eixos, que é a distância entre o centro da roda dianteira e da traseira, ambas do mesmo lado. Ocorre que o tanque de gasolina terá cerca de 240 litros de volume em vez de aproximadamente 120 como no ano passado. Na prática, isso significaria entre 10 e 15 centímetros a mais na distância média entre-eixos de 300 cm das últimas temporadas. A capacidade de cada projetista administrar esse desafio deverá determinar, essencialmente, o que suas equipes poderão realizar no campeonato que vai começar dia 14 de março no circuito de Sakhir, em Bahrein.

A partir de agora, os pit stops programados terão apenas substituição dos pneus. A fim de facilitá-los ainda mais, a espécie de calota aerodinâmica usada por todos foi proibida pela FIA. Assim, as paradas mais eficientes não ultrapassarão os 4 segundos. "Os freios exigirão de nós atenção especial. Têm as mesmas dimensões do ano passado só que os carros, no início das corridas, vão estar com cerca de 180 quilos de gasolina", diz Felipe Massa, da Ferrari. Nos últimos anos, se largava com cerca de 60 quilos.

"Pilotei na última temporada em que era proibido reabastecer, em 1993. Encaramos as corridas de forma diferente, não dá para exigir tudo o tempo todo", comenta Rubens Barrichello. "Vamos largar com o tanque cheio e ver como o carro se comporta com 180 quilos de gasolina só depois da largada. No dia anterior, nos classificaremos com o mesmo carro, só que com 10 quilos", comenta Rubinho. Não existe mais o warm up, para os pilotos terem contato com o carro de tanque cheio. "Os testes de pré-temporada servirão para entendermos como pilotar no começo das corridas", lembra Massa. A pré-temporada se inicia dia 1º de fevereiro, em Valência, Espanha.

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