Pesquisa aponta vitória de Oviedo no Paraguai

Dez dias após sair da prisão, ex-general lidera sondagem para votação em 2008.

Marcia Carmo, BBC

16 de setembro de 2007 | 21h15

Dez dias depois de sair da prisão, o ex-general paraguaio Lino Oviedo superou o presidenciável Fernando Lugo na pesquisa de intenção de votos realizada pela consultoria First Análises e Estudos e publicada, neste domingo, no jornal ABC Color, de Assunção.De acordo com o levantamento, se as eleições fossem agora, Oviedo seria eleito presidente do país com 31,5% dos votos, caso não estivesse inabilitado pela justiça para ser candidato.O ex-bispo Fernando Lugo ficaria em segundo com 27,5% da votação, quase empatado com o candidato do tradicional partido Colorado, que teria 27,2%. Na pesquisa anterior, em julho, quando Oviedo ainda estava preso, Lugo, da aliança Concertación, liderava as intenções de voto. Mas segundo avaliação da First, a libertação de Oviedo, após mais de três anos de cadeia, e a fratura da Concertación contribuíram para que o ex-general superasse o ex-bispo.De acordo com o mesmo levantamento, se Oviedo não puder se candidatar, Lugo seria o próximo presidente do Paraguai com 36,5% dos votos, superando o partido Colorado, com 17,9%.O total de votos nulos mais que triplica quando o ex-general não aparece na lista de candidatos - salta de 5,5% para 17,9%.As eleições presidenciais do Paraguai estão marcadas para abril de 2008. Em dezembro, ocorrem as prévias do partido Colorado, há quase seis décadas no poder.Outro levantamento, realizado pelo instituto Coin para o jornal Ultima Hora, mostrou que Lugo tem o menor índice de rejeição popular (7%) entre os possíveis candidatos, incluindo Oviedo (15%) e a ex-ministra da Educação, Blanca Ovelar (34%), que oficialmente teria o apoio do atual presidente Nicanor Duarte Frutos. Mas segundo a imprensa paraguaia, alguns setores apoiariam a candidatura de Oviedo, acusado de tentar um golpe contra o então governo de Juan Carlos Wasmosy, em 1996.Neste domingo, o ex-general voltou a ser notícia, em entrevistas que concedeu aos jornais ABC Color, da capital paraguaia, e Perfil, de Buenos Aires, na Argentina."No momento estou impedido de ser candidato, mas até que o tribunal possa rever a minha condenação ou que me beneficie com um indulto ou anistia. Eu não me sinto culpado de nada", disse aos jornais e a emissoras de rádio.Oviedo acredita que ele terá a autorização para disputar as próximas eleições e que será eleito presidente. "Mas se eu não for habilitado, apresentaremos uma chapa e minha tropa sim chegará (à Presidência)", disse.Nas entrevistas deste domingo, Oviedo fez críticas aos presidentes da Argentina, Nestor Kirchner, dizendo que ele se preocupa com o crescimento econômico, mas não de sua base política. Chamou o líder venezuelano Hugo Chávez de "ditador" e se referiu ao presidente Lula como uma pessoa "muito inteligente"."Lula conseguiu fazer mudanças e fortalecer o Brasil para os investimentos. Por isso ele foi reeleito, porque faz as coisas bem", afirmou.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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