Pesquisa em moscas pode trazer nova visão ao tratamento de câncer

O crescimento de um tumor maligno pode depender de um só gene, e por isso há tantas falhas no tratamento tradicional, afirmou o pesquisador Jürgen Knoblich, do Instituto de Biologia Molecular de Viena.Após uma série de experimentos com cérebros da mosca Drosophila, cujos resultados foram publicados nesta sexta-feira na revista Cell, o cientista acredita que encontrou novas possibilidades para o tratamento de tumores no homem.As pesquisas desenvolvidas em Viena, ao lado de vários estudos internacionais, registraram paralelos entre as moscas e o ser humano. Os especialistas acreditam que a falta de um gene chamado brat pode ser responsável pela origem de um tumor maligno.Tratamento O tratamento convencional se baseia na destruição das células que se reproduzem rapidamente. Mas isto pode ser um erro, porque, segundo a pesquisa, seria muito mais eficiente aniquilar certas células-tronco, que se reproduzem lentamente, mas que são as responsáveis pelo desequilíbrio devido a uma falha genética.Os cientistas explicam que cada célula-tronco produz duas células, uma específica de determinados tecidos, como os do fígado, da pele ou do cérebro, enquanto a outra não é diferenciada e continua desempenhando o papel de célula-tronco. Este equilíbrio é regulado por determinados fatores de crescimento.Um dos fatores mais importantes é o gene brat, que só é transmitido às células específicas. Quando uma delas é formada sem o brat, começa a se reproduzir de forma desenfreada e se torna cancerígena. Pelo menos, foi o que aconteceu no cérebro da mosca.Os cientistas compararam este procedimento com a tentativa de exterminar formigas que se infiltram numa casa: não basta matar os insetos, o mais eficiente é encontrar a rainha.Segundo explicaram, na hora de buscar as células que produzem um câncer cerebral, é preciso encontrar aquela em que falta o gene brat.

Agencia Estado,

24 de março de 2006 | 19h03

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