Pesquisa expõe uso de álcool entre jovens

Três em cada quatro estudantes do ensino médio menores de 18 anos já consumiram bebidas alcoólicas, segundo pesquisa da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), divulgada ontem. Dos 1.507 alunos de escolas da rede pública e particular ouvidos na pesquisa, 40% disseram ter usado álcool nos últimos 12 meses. Entre os alunos do ensino fundamental (de 7 a 14 anos), 38,8% já experimentaram bebida alcoólica e 8,5% o fizeram em período recente.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, SOROCABA, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h02

A pesquisa, aplicada em escolas de Botucatu, a 235 km de São Paulo, indica que o álcool tem entrado cada vez mais cedo na vida de seus usuários, segundo a pesquisadora Priscila Lopes Pereira, responsável pelo estudo.

"Os jovens são os que apresentam maiores riscos em relação ao consumo do álcool, com consequências negativas como problemas nos estudos, problemas sociais, prática de sexo sem proteção, gravidez indesejada, maior risco de suicídio ou homicídio e de acidentes", disse Priscila.

Mulheres. O estudo também constatou que a maior propensão de "beber com embriaguez" está no grupo de estudantes do sexo feminino. A pesquisadora define o termo beber com embriaguez como consumo igual ou superior a cinco doses em uma ocasião para homens e a quatro doses para mulheres. Nesse caso, a dose equivale a 50 ml de destilado com teor alcoólico de 40%; 350 ml de cerveja (teor alcoólico de 4 a 5%) e 150 ml de vinho a 12,5% de álcool.

"As conquistas femininas nas últimas décadas, além da independência financeira, levaram as adolescentes a ter mais liberdade e frequentar locais de consumo antes restritos aos homens", explicou Priscila.

Pertencer à classe social mais alta, estudar em escola pública e não ter prática religiosa são fatores que facilitam o contato precoce com o álcool, segundo constatou a pesquisa. Para a autora, a influência de amigos que se embriaguem uma vez por semana é um estímulo crucial para os mais jovens.

O projeto, tese de dissertação de mestrado da pesquisadora, teve a orientação da professora Florence Kerr-Corrêa, do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da FMB, e apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

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