Pesquisa mostra que 91% se arrependem de fumar

Problemas de saúde causados pelo tabaco afetaram 82% dos entrevistados em enquete

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2010 | 00h00

RIO

A maioria dos fumantes brasileiros já sofreu com problemas relacionados ao tabaco (82%) e 65% deles são a favor das leis de proibição total ao fumo em locais fechados. Entre os não fumantes, essa aprovação sobe para 80% dos entrevistados.

Os dados fazem parte da pesquisa do International Tobacco Control (ITC), que avalia em 20 países o impacto das políticas públicas. O estudo foi divulgado ontem pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), na véspera da votação, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, do projeto de lei que proíbe o fumo em ambientes fechados em todo o território nacional.

"Alguns Estados e municípios se adiantaram e têm leis que proíbem o fumo em lugar fechado, mas a indústria do tabaco ajuizou ações questionando que a legislação estadual não pode se sobrepor a uma lei federal, que permite o fumódromo", disse Tânia Cavalcante, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do Inca.

Ela citou estimativa de 2008 do instituto, segundo a qual 6 mil pessoas morreram, naquele ano, por tabagismo passivo. "Os fumódromos têm de ser banidos. Precisamos de uma lei federal que acabe com a disputa na esfera judicial e resolva a questão. Sem os fumódromos, cai o consumo. E a indústria não quer que isso aconteça. É uma questão exclusivamente econômica. E a economia não pode estar acima da saúde pública."

Em janeiro de 2006, o Brasil ratificou adesão à Convenção-Quadro, tratado internacional de saúde pública com a chancela da Organização Mundial de Saúde. Entre as medidas com as quais o País se comprometeu está a proibição do fumo em local fechado. O prazo para a medida ser adotada vence em 2011.

Pesquisas do IBGE haviam apontado que o número de fumantes no Brasil havia caído de 33% da população com mais de 15 anos, em 1989, para 17%, em 2008. O levantamento do ITC detalha o comportamento dessas pessoas ? 92% fumam diariamente e a média é de 15,4 cigarros por dia; 52% se classificam como muito dependentes.

Entre os 20 países que participam do trabalho ? entre eles França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido, Alemanha, Uruguai e México ? foi no Brasil que os pesquisadores encontraram o maior índice de arrependimento. Entre os fumantes entrevistados, 91% preferiam nunca ter experimentado o cigarro. E 51% pretendem deixar de fumar nos próximos seis meses.

"A informação de que as pessoas se arrependeram expressa, entre outras coisas, a ideia de que elas começaram a fumar enganadas, acreditando que teriam algo em troca. Confirma que a propaganda é importante para induzir ao fumo e confirma que a política de se proibir a divulgação desses produtos é acertada", defendeu o diretor-geral do Inca, Luiz Santini.

A pesquisa ouviu 1.826 pessoas, sendo 1.215 fumantes e 611 não fumantes, em São Paulo, Rio e Porto Alegre, entre abril e junho de 2009.

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