Pesquisa mostra que crianças preferem SMS, Orkut e MSN

Enquanto muita gente sofre para administrar bem os e-mails e se adaptar às comunicações "modernas", outras não estão nem aí. Pesquisas mostram que crianças estão em pleno processo de substituição do e-mail por outras formas de interagir com conhecidos. Isso significa que, num futuro nem tão distante, o e-mail pode deixar de ser necessário.O levantamento Kids Experts 2008, encomendado pelo canal infantil Cartoon Network, revela que garotos entre 7 e 15 anos enviam por dia mais mensagens de celular (SMS) do que e-mails: sete contra cinco. Meninas usam mais o serviço e falam principalmente com amigos. Já os garotos priorizam o contato por SMS com a família. O Cartoon ouviu 6.736 crianças, a maioria com banda larga e TV paga em casa.Quando o assunto é mensagem instantânea, a estatística dispara. Nada menos que 80% dos adolescentes entre 13 e 15 anos e 67% das crianças entre 10 e 12 usa com alguma freqüência programas como MSN Messenger ou Google Talk. Meninas também são mais assíduas do que os garotos por aqui: 46% delas usam todos os dias, contra 40% deles. Elas também ficam mais tempo online (60% entre meia hora e quatro horas) do que os meninos (55%) e têm em média mais amigos conectados – 30 contra 24 dos garotos.A pesquisa também sondou o comportamento diante de redes sociais, como Orkut, MySpace, Facebook e Live Spaces. A principal descoberta foi que 74% das meninas e 58% dos meninos têm como finalidade principal nos sites se comunicar com amigos – e não participar de comunidades ou dar opinião sobre determinado assunto. É o retrato final para concluir que o e-mail está sucumbindo frente aos scraps, SMS e mensagens instantâneas.O Cartoon chamou a geração dos garotos entrevistados de "Millennials" (também conhecidos como Geração Y), os nascidos na transição entre os séculos 20 e 21. É o mesmo nome citado com preocupação pela presidente do Grupo Foco, Eline Kullock. "Eles chegarão ao mercado de trabalho acostumados com a interação pelo computador. Isso naturalmente gera um isolamento. Não sei até que ponto será bom ou ruim", afirma.Do ponto de vista das comunicações, sem dúvida as coisas tendem a ficar mais e mais velozes. Outra pesquisa, esta do Ibope/NetRatings, ratifica a percepção. Entre agosto de 2007 e o mês passado, houve perda de participação de crianças em sites de e-mail e concentração dos acessos entre adultos, principalmente mulheres.Há um ano, pouco mais de 1,1 milhão de crianças de 2 a 11 anos usavam e-mail (52% do total de crianças). Agora, o número de crianças em e-mail foi de cerca de 1,3 milhão, mas representando 49,3% do universo.Por outro lado, acentua-se o uso das redes sociais. No Orkut, a maior entre usuários brasileiros, pessoas com até 20 anos representam 56% dos acessos ao site. Uma criança abre em média 470 páginas por mês, um adolescente vê 1.850 e adultos não passam de 700.A estudante Bruna Molina, de 11 anos, só tem e-mail porque precisa do endereço para entrar no comunicador instantâneo. "Todos os meus amigos conversam online, não preciso mandar nem receber e-mails", afirma, ao lado do computador cor-de-rosa que combina com a parede. Além disso, o Orkut é o destino ideal para mandar recados ou até bater papo.Diante do cenário apontado pelas pesquisas e do exemplo da vida de Bruna, chega-se ao dilema de como serão as comunicações no futuro. Coloque a internet móvel na conta e veja que há muito a avançar."Com o auxílio da banda larga, a internet será um veículo realmente de comunicação de massa usado regularmente em quase todos os domicílios. A tendência é tudo se tornar mais veloz, atraente e personalizável", afirma o mestre em Ciências da Comunicação pela USP Moisés Santos.Quando você vir seu filho ali, sentado no PC e se comunicando freneticamente com os amigos, lembre das estatísticas e pense que ele pode estar, na verdade, lhe ensinando como sobreviver nos tempos de hoje. L.P. e L.A.F.

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