Pesquisador fala de infecções emergentes na SBPC

Nem sempre os cientistas conseguem saber por que ou como uma doença surge. Umas são mais conhecidas, outras menos. Mas o certo é que o número de doenças emergentes é crescente e isso não é mera redundância. Pelo contrário, a situação é extremamente grave, ainda mais por conta do tamanho da lista que contém gripe aviária, hepatite C, HIV/Aids, Sars, doença do legionário, hantavirose pulmonar, doença de Lyme, Ebola, Marburg, doença de Creutzfeldt-Jakob e febre do oeste do Nilo. ?Todas essas são consideradas enfermidades emergentes. Algumas são mais antigas, outras típicas do processo de globalização. Elas surgem a partir da relação entre seres humanos?, disse Pedro Luís Tauil, professor da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade de Brasília (UnB), na palestra Doenças infecciosas emergentes no novo milênio, apresentada na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Florianópolis. Além de descrever particularidades de cada enfermidade, o que levou um bom tempo e deixou perplexa boa parte do auditório lotado, Tauil alertou a platéia sobre as enfermidades mais preocupantes. Por causa da velocidade da transmissão, algumas delas podem ser incontroláveis. ?Ainda não se sabe como, mas a febre do oeste do Nilo, por exemplo, conseguiu chegar rapidamente a Nova York na década de 1990. Pouco tempo depois, foram identificados os primeiros casos em Miami e na América Central. Provavelmente ela foi levada por meio de um vetor transmitido por corvos?, disse. ?O Brasil faz vigilância constante de aves migratórias, mas se espera que a febre chegue ao país em pouco tempo?, disse Tauil. Em 2003, foram registrados 9.388 casos da enfermidade nos Estados Unidos, com 246 mortes. Outra grande preocupação, em parte já conhecida pela comunidade científica e pela população, é a gripe aviária, causada pelo vírus H5N1, que já causou 266 mortes em todo o mundo. Mas os problemas são muitos, como a hepatite C, que tem o tratamento dificultado pela falta de uma vacina protetora, o que não ocorre para os outros dois tipos, A e B. O pesquisador da UnB listou as principais causas da proliferação das doenças: a forte migração rural e urbana verificada nas últimas décadas, alterações ambientais, aumento da movimentação por causa principalmente das viagens aéreas e alterações do estilo de vida, o que inclui tolerância sexual, sedentarismo, má alimentação e uso de drogas.

Agencia Estado,

21 de julho de 2006 | 12h01

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