Pesquisadores acham inseto considerado extinto em SP

Pesquisadores do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, e do Instituto Agronômico (IAC) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, constataram que duas espécies de mosca branca possivelmente nativas do Estado de São Paulo sobreviveram à infestação da exótica Middle East-Asia Minor 1 (Meam1). A descoberta causou surpresa, pois se acreditava que, depois da introdução no país dessa invasora, as espécies nativas teriam sido substituídas ou extintas.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

18 de março de 2013 | 16h49

A Meam1, que chegou ao Brasil na década de 1990 e se espalhou principalmente pelas lavouras de soja, é altamente invasiva. Em várias partes do mundo, segundo os pesquisadores, sua entrada promoveu a extinção das espécies locais. A pesquisa constatou a presença das espécies nativas New World 1 e New World 2 no Estado de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Alagoas. A mosca branca constitui um dos maiores pesadelos para os produtores de hortaliças, plantas ornamentais e outras culturas, pois, ao se alimentar da seiva da planta hospedeira, causa o definhamento. O inseto também deposita uma secreção açucarada sobre as folhas favorecendo a formação de fungos que impedem a fotossíntese. É ainda transmissor de vários tipos de vírus que afetam culturas de hortaliças, frutas e oleaginosas.

A espécie invasora predomina no País e pode ser encontrada tanto em áreas cultivadas quanto em plantas daninhas. Até recentemente, toda pesquisa sobre mosca branca levava em conta somente essa espécie. No trabalho da Unesp e do IAC, foi feito um amplo levantamento em mais de 40 municípios de São Paulo e em 13 do Estado de Alagoas, com o uso de testes sensíveis à identificação das espécies.

A nativa New World 1 foi encontrada em plantações de jiló e corda-de-viola nos municípios de Registro, Iguape e Ilha Comprida, no Vale do Ribeira, sul do Estado. Em Alagoas, a mosca infestava tomateiros. A pesquisadora Renata Krause Sakate, da Unesp, acredita que o inseto não desapareceu em virtude do isolamento geográfico dessas localidades em relação a outras áreas agrícolas do Estado.

A New World 2 foi coletada em plantas de amendoim-bravo em São Paulo e Alagoas. Trata-se do primeiro registro de sua existência no Brasil. Também surpreendeu o fato de as espécies nativas, em alguns nichos, estarem convivendo com as invasoras. Ainda não se sabe se as nativas também transmitem vírus para a planta, o que a continuação da pesquisa deve elucidar. O trabalho, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), teve ainda a colaboração de pesquisadores espanhóis.

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