Pesquisadores da USP criam plástico comestível de mandioca

Pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um filme plástico à base de amido de mandioca e açúcares. Projetado para uso em embalagens, o plástico é biodegradável, comestível, tem propriedades antibacterianas e pode mudar, de cor de acordo com o estado de conservação do produto. A novidade ainda está em fase de desenvolvimento, mas pode ser uma alternativa para um grave problema ambiental. O Brasil consome cerca de 4 milhões de toneladas de plástico anualmente, e recicla apenas 16,5% do total, de acordo com a Associação Brasileira de Embalagens. Um terço corresponde ao plástico-filme e dois terços, ao plástico rígido. A estimativa para a decomposição desses materiais no ambiente é de cerca de cem anos. Além da redução de lixo, por ser biodegradável, a invenção poderá reduzir os conservantes sintéticos dos alimentos, devido à ação antimicrobiana. O produto começou a ser desenvolvido em 2004, na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisadora Pricila Veiga dos Santos criou os filmes à base de mandioca e açúcares, sob orientação de Adilma Regina Pippa Scamparini e Marney Pascoli Cereda. Há um ano, o projeto foi assumido pela engenheira química Cynthia Ditchfield, do Laboratório de Engenharia de Alimentos do Departamento de Engenharia Química da Poli, que aprimorou as pesquisas de Pricila. De acordo com Cynthia, o novo plástico possibilitará a fabricação de embalagens ativas que, além de proteger, interagem com o produto. Um exemplo é a ação antimicrobiana. ?Adicionamos ao material da embalagem produtos como cravo e canela, que são antimicrobianos naturais. O resultado é um aumento da vida útil do produto na prateleira?, explicou. Outra característica ativa da nova embalagem é a indicação de acidez. Segundo Cynthia, muitos alimentos, quando se deterioram, sofrem alterações no pH, que fica mais ácido. Em contato com o alimento, o plástico muda de cor, indicando se as condições estão boas. Cynthia explica que a matéria-prima utilizada na embalagem é barata, mas que não há ainda estimativas se o produto será mais caro do que os plásticos convencionais. A definição dependerá do processo industrial que for adotado.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2007 | 15h47

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