Pesquisadores discutem proteção do aqüífero Guarani

Trata-se do maior reservatório de água doce subterrâneo e internacional do mundo, já que atinge também outras nações do sul do continente. Os países estão trabalhando num plano de ação conjunta - o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Aqüífero Guarani - visando a proteção do manancial. A Jornada Estadual Aqüífero Guarani, em Botucatu, faz parte do plano e servirá de preparação para um encontro internacional que ocorrerá no final de novembro em Campo Grande (MS). Além de palestras e debates, está programada a visita a um ponto de afloramento do aqüífero no município. O aqüífero pode ser comparado a uma imensa esponja subterrânea de arenito, que retém a água da chuva, e se formou há cerca de 150 milhões de anos. Sua espessura, que em alguns pontos chega a 800 metros, pode acumular 45 mil km3 de água. O manancial está presente no subsolo de oito Estados brasileiros - de Goiás ao Rio Grande do Sul. Em São Paulo, a água é utilizada para abastecimento, sobretudo na região de Ribeirão Preto. São cerca de mil poços já perfurados, com profundidades de até 1.500 metros e vazões superiores a 700 m3 por hora. De acordo com os pesquisadores, se não operados corretamente, ou se forem abandonados, os poços podem ser veículos de contaminação do aqüífero, cujas águas são de boa qualidade para abastecimento público. Há ainda o risco de rebaixamento do lençol freático e impacto nos corpos d´água superficiais se houver retirada de água acima da capacidade de recarga do aqüífero. Podem ser criadas áreas de restrição para novas perfurações. Também será discutido o risco de contaminação por agrotóxicos. Uma das propostas proíbe a agricultura que usa fertilizantes e pesticidas, como a cana de açúcar, nos locais de afloramentos, onde os depósitos de água se encontram próximos da superfície, como ocorre na região de Botucatu.

Agencia Estado,

15 de agosto de 2006 | 18h39

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