Célio Messias/AE
Célio Messias/AE

Pesquisadores fazem testes de nutrição

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Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2009 | 00h50

A QueenNut, de Dois Córregos, é uma das grandes indústrias de macadâmia do País. Aberta em 1993, exporta 90% do que processa, ou 160 toneladas/ano, para Europa, América do Norte, Emirados Árabes, Israel, China e Japão. "O agricultor brasileiro não é capitalizado e é preciso pelo menos dez anos de investimento para ter retorno", diz a proprietária da empresa, Maria Teresa Egreja Camargo. "A baixa produtividade é um problema a ser resolvido."

A QueenNut planta 300 hectares de macadâmia (cerca de 65 mil árvores), além de vender mudas. Em 1 hectare podem ser plantadas entre 200 e 250 plantas. O gerente agrícola da empresa, Leonardo Moriya, destaca que a espécie precisa de temperatura média anual de 25 graus. "E abaixo de 15 graus no inverno para ter estímulo floral." Além de São Paulo, Minas e Espírito Santo, sul da Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso e norte do Paraná têm pomares.

 

 

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BAIXA PRODUTIVIDADE

No mundo, a produção de macadâmia é de 100 mil toneladas de noz em casca. A Austrália lidera (com 37 mil toneladas), seguida de África do Sul (26 mil toneladas) e Havaí (20 mil toneladas). A baixa produtividade brasileira é notória, comparando-se com a do Havaí, que produz as 20 mil toneladas em 6 mil hectares, ou seja, em mil hectares a menos. Para mudar isso, técnicos e pesquisadores paulistas se organizaram, num grupo técnico, apoiados pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), da Secretaria Estadual da Agricultura, para desenvolver a cultura da noz macadâmia no Brasil.

 

Na Fazendinha, em Jaboticabal, os pesquisadores Marcos José Perdoná e Eduardo Suguino fazem dois experimentos voltados à nutrição da planta. Foram delimitadas 36 áreas, em dois pomares. Numa delas, a adubação é parcelada cinco vezes por ano. Em outra área, quatro vezes/ano. O padrão é de três vezes ao ano. "Estamos testando para ver qual seria o resultado", diz Perdoná. "Precisamos de pesquisa, pois só temos informações da Austrália e do Havaí."

O controle de pragas e doenças é outra preocupação. "Um exemplo disso é o pulgão: devemos matá-lo com inseticida ou deixá-lo, para que a abelha polinize as flores?", cita Perdoná.

Como evitar o abortamento de 50% dos frutos na fase chumbinho e aumentar a produtividade da noz é outra indagação. Moriya cita como pragas preocupantes ácaro, percevejo, bicho furão e cigarrinhas. Perdoná diz que podem ser feitos consórcios de culturas com a macadâmia (distância de 6 metros entre as plantas e arruamento de 8 metros) como café, mandioca e milho. "A macadâmia é boa alternativa para arborização do café."

 

linkMAIS INFORMAÇÕES

Aleudo Santana

Tel.: (0--16) 3202-4884

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