Pesquisas complexas feitas com lápis e papel

Da infância até o doutorado, a sina permaneceu a mesma. "Sempre quis conhecer a natureza, queria entender como ela funcionava", diz a jovem pesquisadora Raissa Mendes, de 23 anos.

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2012 | 03h06

Nascida em Brasília, a aluna da pós-graduação do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sempre gostou da natureza, mas de um aspecto bem particular. "A astrofísica, a mecânica quântica e a astronomia são as áreas que mais me interessavam. Sempre quis compreender o universo", diz.

O gosto pela matemática e uma dedicação diária de oito horas de estudos facilitaram a finalização do mestrado, realizado na Unesp entre 2009 e 2010.

As áreas de estudos em que Raissa desenvolve suas pesquisas têm nomes complexos, mas conta com explicações quase poéticas. "Eu estudo a teoria quântica de campos em espaços curvos. Se fosse para explicar seria uma teoria que tenta unificar a descrição do muito pequeno (mecânica quântica) e do muito grande (relatividade geral)."

O foco da dissertação era a discussão sobre a emissão de radiação próximo a buracos negros. "Buracos negros são objetos muito especiais, mas como não emitem luz, é difícil observá-los diretamente. Então estudamos as emissões de radiação de elementos vizinhos. É um tipo de pesquisa de grande interesse teórico."

Mas, talvez, o que chame mais atenção é que para desenvolver todos esses estudos ela nunca precisou de muito. "Tudo que necessito é de lápis, papel e um bom computador, para as simulações numéricas. Mas o acompanhamento direto do orientador sempre é fundamental", explica.

Agora, no doutorado, a ideia de Raissa é aprofundar o estudo sobre a instabilidade das estrelas, sempre embasada com a mesma teoria quântica dos espaços curvos.

Ela pretende finalizar a tese em 2014 e depois disso não faltam planos - até mesmo de se aprimorar no exterior e retornar ao País. "Pretendo fazer um pós-doutorado no exterior e voltar para o Brasil para participar de um grupo de pesquisa. Ir para a Universidade de Brasília seria uma possibilidade", diz. /DL

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