Pesquisas dão vitória a Mujica no Uruguai

Candidato governista tem 49,6% das intenções de voto e Lacalle, 42,1%

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

O ex-guerrilheiro José "Pepe" Mujica, candidato da coalizão de governo Frente Ampla, de centro-esquerda, deve vencer as eleições presidenciais de domingo no Uruguai, indicaram pesquisas divulgadas ontem. Segundo a consultoria Interconsult, Mujica tem 49,6% das intenções. Seu rival no segundo turno, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-95), do Partido Nacional, tem 42,1%.

Ainda segundo a sondagem, 3,8% dos entrevistados pretendem votar em branco, uma proporção historicamente elevada para o eleitorado uruguaio, e 4,5% estão indecisos.

A vitória de Mujica consolidaria a Frente Ampla, que em 2004, com a eleição de Tabaré Vázquez, quebrou - pela primeira vez em 174 anos de história - o bipartidarismo predominante no Uruguai dos partidos Nacional e Colorado.

O candidato a vice-presidente de Lacalle, Jorge Larrañaga, confia em "mudanças de último minuto" do eleitorado que possibilitem a vitória do Partido Nacional.

Cientistas políticos e analistas de opinião pública, em sua maioria, consideram inevitável a vitória de Mujica. Ele deve chegar ao poder graças a três fatores: a elevada popularidade do governo do atual presidente, Tabaré Vázquez, um socialista moderado; o próprio carisma do septuagenário ex-guerrilheiro tupamaro; e a presença do sóbrio e moderado Danilo Astori, ex-ministro da Economia, em sua chapa como vice-presidente, figura que tranquiliza os mercados.

César Aguiar, presidente da consultoria Equipos Mori, prevê que Mujica vencerá com 51% dos votos. Segundo ele, Lacalle, "na mais otimista das hipóteses", poderia obter 49%. Outra pesquisa, da consultoria Factum, indica que a Frente Ampla de Mujica obteria 50% dos votos e o Partido Nacional, 40%.

"Exceto pelo surgimento de uma catástrofe, que eu não vislumbro, a eleição já está definida a favor de Mujica", acredita Juan Carlos Doyenart, da Interconsult. Doyenart sustenta que a disputa ficou definida quando, no primeiro turno, a coalizão de governo conseguiu manter a maioria parlamentar.

Confiante, Mujica já começou a configurar seu gabinete. Seu vice terá grande influência na equipe econômica, que manterá o perfil "moderado" da gestão de Tabaré Vázquez.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.