Pesquisas mostram ligeira vantagem de escoceses contra independência

Os escoceses que apoiam a permanência no Reino Unido estão quatro pontos percentuais à frente dos separatistas a apenas um dia antes da votação para um referendo sobre a independência, mostraram três diferentes pesquisas de opinião.

GUY FAULCONBRIDGE E ALISTAIR SMOUT, REUTERS

16 Setembro 2014 | 21h23

O destino do Reino Unido permanece incerto com as três pesquisas – dos institutos ICM, Opinium e Survation – mostrando que apoio à independência da Escócia tem 48 por cento em comparação com 52 por cento a favor de manter a união.

As pesquisas mostram que entre 8 a 14 por cento dos 4,3 milhões de eleitores da Escócia ainda estão indecisos antes da votação de quinta-feira.

"É muito apertado", disse John Curtice, professor de política na Universidade Strathclyde e um dos principais pesquisadores da Escócia, ao jornal Scotsman, que encomendou a pesquisa ICM.

Em face da maior ameaça interna ao Reino Unido desde que a Irlanda se separou há quase um século, as instituições da Grã-Bretanha – desde o primeiro-ministro David Cameron, a cidade de Londres e astro do futebol David Beckham – se uniram em um esforço quase em pânico para implorar aos escoceses que o Reino Unido é "Melhor Junto".

Na tentativa de enfraquecer o argumento do líder nacionalista Alex Salmond para uma separação, os governantes da Grã-Bretanha prometeram garantir à Escócia altos níveis de financiamento estatal além de conceder aos escoceses maior controle sobre suas finanças.

Em um acordo mediado pelo ex-primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, os líderes dos três principais partidos políticos da Grã-Bretanha disseram que vão manter a equação de financiamento que sustenta um maior nível de investimento público na fronteira norte.

Líderes britânicos concordam que, mesmo que a Escócia vote em manter a união de 307 anos, a estrutura do Reino Unido terá que mudar uma vez que a pressão para conceder mais poderes à Escócia vai implicar em demandas por um Estado menos centralizado por parte de eleitores na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.

FIM DO REINO UNIDO?

Cameron, cujo mandato estará em perigo se os escoceses votarem pela separação do Reino Unido, advertiu em sua última visita à Escócia antes da votação de quinta-feira que não haveria como voltar atrás e que qualquer separação poderia ser dolorosa.

Com voz às vezes vacilante pela emoção, Cameron deu um passo extraordinário ao lembrar escoceses que, se eles não gostavam dele, que ele não seria o primeiro-ministro para sempre.

Mas o líder nacionalista Salmond rejeitou a oferta de mais poderes de Cameron, dizendo que a próxima vez que ele visitar a Escócia será para negociar os termos do divórcio da união de desde 1707 entre a Escócia e a Inglaterra.

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