PET reciclado chega às roupas de grife

Marcas como Osklen aumentam uso do material em suas coleções

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2009 | 00h00

O uso de plástico PET reciclado na confecção de roupas está deixando as camisetas promocionais e os uniformes corporativos para entrar nas grandes marcas de moda. Hoje, o mercado têxtil absorve 50% das resinas PET recicladas no Brasil, material que está sendo usado por confecções como a Osklen, Vila Romana, Lucy and The Sky e a esportiva Asics. As empresas apostam no diferencial ecológico do material, que permite a retirada de embalagens do meio ambiente.

"As marcas querem ser associadas à sustentabilidade, e estão descobrindo que o PET reciclado pode trazer glamour às suas confecções", afirma Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet). A resina PET foi desenvolvida no fim da Segunda Guerra Mundial para a produção de fibras têxteis. Mas só a partir da década de 1970 passou a ser utilizada em embalagens. Hoje, das garrafas descartadas, é possível produzir fibra de poliéster, que misturada a outros materiais, como o algodão, garantem um tecido mais leve, que caiu no gosto dos estilistas.

Uma das marcas que desencadeou esse movimento foi a carioca Osklen, que pesquisa desde 2000 novos materiais com apelo de sustentabilidade, em um projeto batizado de E-Fabrics. A malha de PET entrou nas coleções no ano passado, e o plano é crescer o uso a cada nova coleção. "Na coleção que chegou às lojas em setembro temos seis camisetas em PET reciclado. Para 2010, também estão previstos novos modelos", diz Nina Braga, coordenadora do projeto E-Fabrics.

Ao lado da malha de PET reciclado, brim orgânico, couro de tilápia e lona de juta estão entre os tecidos que já vêm sendo aplicados. "Os materiais são apresentados também a outros estilistas, de modo a incentivar a indústria de moda a usar tecidos com esse apelo", diz Nina.

EXPANSÃO

A Textilfio, malharia de Jaraguá do Sul (SC), aposta em uma malha composta por PET reciclado misturado ao algodão desde 2006. A demanda começou a crescer em 2008, quando a empresa passou a fornecer para o projeto E-Fabrics. Na esteira, vieram grifes como Vide Bula, Cobra d"Água, Lucy in the Sky e outras, que fizeram a produção da malha PET dobrar em um ano. "Como sustentabilidade não é modismo, cada vez mais as bases PET vêm fazendo parte das coleções", diz Daniela Kuhn Pamplona, gerente comercial da Textilfio.

O Brasil recicla 230 mil toneladas de plástico PET por ano, o equivalente a 54% do total produzido. A indústria de reciclagem do material movimenta R$ 1,08 bilhão, mas opera com ociosidade de 30%. "Há demanda, mas falta coleta do material", diz Marçon, da Abipet.

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