Petrobras conta com fundos para fortalecer fornecedor do pré-sal

A Petrobras conta com a criação por gestores de fundos de pelo menos entre 14 e 15 Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) voltados para o fortalecimento das empresas fornecedoras da estatal até o final do ano. Sem isso, avalia um executivo da companhia, a indústria nacional será engolida por empresas estrangeiras.

DENISE LUNA, REUTERS

16 Julho 2009 | 19h40

Com investimentos bilionários já anunciados até 2013 e prevendo ainda mais recursos depois dessa data no desenvolvimento da produção dos campos do pré-sal, a Petrobras percebeu que sem ajudar a alavancar a sua cadeia de fornecedores teria dificuldade de conseguir equipamentos.

Os investimentos nos campos do pré-sal da bacia de Santos passam aos dois dígitos a partir de 2013, quando estão previstos 11,4 bilhões de dólares, contra a média de 4,5 bilhões de dólares dos quatro anos anteriores.

"Até o final do ano devemos ter 14, 15 FIPs, com patrimônio de uns 10 bilhões de reais para ajudar a expansão da indústria local...se isso não for feito, os estrangeiros vão vir para cá e elas (empresas locais) somem", explicou a jornalistas o consultor de negócios da Petrobras Marcílio Miranda, após palestra em seminário do setor promovido pela Associação Brasileira de Ventures Capital e Private Equity.

FUNDO PARA IARA E GUARÁ

Já para as plataformas que serão instaladas para testes nos campos de Iara e Guará, na bacia de Santos --os próximos que serão testados pela Petrobras depois de Tupi--, e para as 28 sondas que serão licitadas também para a região, os planos são de criar Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios.

"Esses (FDICs) serão em dólar e com volumes altíssimos...as bases negociais do fundo devem estar prontas este mês e serão divulgadas para os fornecedores que estão participando da licitação (das plataformas), e que poderão usar ou não os fundos", explicou Miranda.

Nas duas plataformas o engenheiro estima que o fundo possa atingir 3 bilhões de dólares e, no caso das sondas, cerca de 6 bilhões de dólares. Esses recursos são aportados nas empresas que assim desejarem para fazer a obra e a garantia será o pagamento que receberão da Petrobras, "uma espécie de recebíveis", completou Miranda.

"Colocar isso no balanço das empresas entra como dívida, então temos que fazer operações que não gerem dívidas no balanço dessas empresas (fornecedoras), porque fica limitada a capacidade produtiva de cada uma, essa que é a lógica dos fundos", informou.

"Tem que sair dessa linha de tomar crédito, porque não existe crédito suficiente para financiar o plano de negócios da Petrobras", afirmou, referindo-se ao plano de 174 bilhões de dólares da empresa até 2013, dos quais 158 bilhões de dólares serão investidos no Brasil.

Miranda informou que a diretoria da Petrobras aprovou que a empresa participe também como investidora em fundos formados por micro e pequenas fornecedoras da estatal. Nos fundos maiores, segundo Miranda, ainda não há perspectiva da entrada da companhia.

"Por enquanto fomos autorizados a colocar 10 milhões de reais em fundos para estimular as micro e pequenas, mas continuo batalhando", explicou.

BNDES NO JOGO

Presente no seminário, o sócio diretor do Banco Modal Humberto Tupinambá anunciou que na próxima semana vai registrar na Comissão de Valores Mobiliários um FIP da instituição dedicado apenas à indústria de petróleo e gás natural --o FIP Modal Caixa Óleo e Gás, em parceria com a Caixa Econômica Federal-- com meta de atingir patrimônio de 500 milhões de reais. O foco serão obras do setor em terra, como refinarias, dutos e transporte de carga.

No final de 2010 outro fundo será lançado pelo banco, de olho na expansão da exploração offshore, e em 2012, quando serão alavancados os investimentos do pré-sal, será criado um fundo de 1 bilhão de reais. Até 2020, a Petrobras prevê investir 111 bilhões de dólares no pré-sal.

O FIP Modal Caixa será composto de 8 a 10 empresas e será oferecido ao BNDES, informou Tupinambá. O BNDES também está na corrida para formação de fundos voltados para o desenvolvimento da indústria de fornecedores de petróleo e gás. O prazo do fundo do Modal será de sete anos.

De acordo com o chefe do departamento de investimento em fundos do BNDES, Eduardo Sá, na próxima semana o banco coloca em seu site convocação para gestores de fundos de investimentos focados no setor de petróleo e gás.

"Na terça-feira passada a diretoria aprovou fazer FIPs para petróleo e gás, queremos estar nesse jogo também", declarou Sá.

Em agosto o banco deve anunciar o gestor que tiver o fundo mais bem estruturado para receber o aporte do banco, que será limitado a 20 por cento do patrimônio do fundo. O BNDES já participa de 28 FIPs, informou Sá.

Caio Brito de Azevedo, que coordena a atuação do BNDES nos investimentos relativos ao pré-sal, disse que o interesse de investidores na nova fronteira descoberta pela Petrobras em 2001 vem crescendo e que na semana passada recebeu 20 empresas de Cingapura, além de algumas coreanas.

"As empresas querem vir para cá, ou sozinhas, ou com parceiros que podemos ajudar a achar", informou, estimando em no mínimo 5 bilhões de dólares a necessidade de recursos até 2012 para financiar a expansão de empresas brasileiras fornecedoras de equipamentos para a indústria de petróleo e gás para garantir a sobrevivência dessa indústria.

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