Petrobras descarta aumentar dívida para se capitalizar

A Petrobras não vai aumentar sua dívida arriscando perder o grau de investimento duramente conquistado para se capitalizar, afirmou nesta sexta-feira o gerente de Relações com Investidores da Petrobras, Alexandre Quintão.

DENISE LUNA, REUTERS

26 de março de 2010 | 14h08

Segundo Quintão, se o Congresso Nacional não aprovar até o final de maio o projeto que prevê a capitalização da companhia, com cessão pelo governo de áreas não licitadas do pré-sal até o limite de 5 bilhões de barris, a empresa estudará alternativas para injetar recursos no caixa da companhia a com isso aumentar o patrimônio líquido e dar maior margem de alavancagem.

"A gente trabalha com capitalização com cessão onerosa, ela é extramente necessária para o ano de 2010, para o Plano de Negócios de 200/220 bilhões de dólares e se não tiver isso vai ter que ajustar de algum lado, ou você ajusta via capitalização ou ajusta via redução de investimentos", disse Quintão a jornalistas após encontro com a analistas de mercado promovido pela Apimec-RJ, referindo-se ao plano para o período 2010-2014.

Ele afirmou que entre as alternativas estariam um aumento de capital apenas por meio de emissão de ações preferenciais, o que preservaria a posição de controlador do governo brasileiro. O valor da operação seria menor do que a feita com a cessão onerosa, ressaltou, sem dar possível novo valor.

"Se o governo quiser participar é uma decisão do governo e ele terá que ver os instrumentos necessários para isso", disse o executivo.

Com 32 por cento do capital total e 50 por cento mais uma ação do capital votante, o governo teria que injetar recursos ou emitir títulos públicos para participar da operação, gerando mais dívida pública, ao contrário da cessão onerosa, que envolve barris de petróleo que ainda serão explorados.

Quintão avaliou que o cumprimento do Plano de Negócios poderia passar também por uma eventual redução de custos ou dos próprios investimentos planejados para os próximos cinco anos. Seriam postergados ou suspensos projetos que ainda não tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração, disse Quintão.

"Qualquer tipo de captação via mercado sem ser mercado de ações gera um endividamento e estoura o que eu tenho hoje, que é o limite de 35 por cento (de alavancagem)", explicou.

"Temos que manter o nível de alavancagem dentro de um limite aceitável pelas agências de ratings", complementou, descartando assim emissão de bônus ou mais empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O executivo disse ainda que a Petrobras já está fazendo uma pesquisa no mercado para conhecer a aceitação de uma capitalização, e dessas conversas concluiu que o valor ficaria entre 15 e 25 bilhões de dólares, conforme foi divulgado esta semana.

"Pelo o que a gente vem conversando com bancos de investimentos tem (liquidez). Esse valor que a gente definiu (de 15 a 25 bilhões de dólares) foi muito com base no que o mercado vem nos falando", afirmou.

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