Petrobras e Tereos serão parceiros na Guarani

A Petrobras e o grupo francês Tereos anunciaram nesta sexta-feira uma parceria estratégica para investirem conjuntamente na Açúcar Guarani, com o objetivo de acelerar o crescimento na indústria brasileira de etanol, açúcar e bionergia.

MARCELO TEIXEIRA, REUTERS

30 Abril 2010 | 18h21

A Petrobras, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível, prevê investir 1,6 bilhão de reais para obter 45,7 por cento da Guarani, subsidiária do Tereos, com base no preço por ação de 5,83 reais.

Adicionalmente, a Tereos terá a opção de investir na Guarani até 600 milhões de reais, via aumento de capital, dentro de um período de 12 meses após o ingresso da Petrobras Biocombustível na companhia sucroalcooleira.

O negócio também marca a aguardada expansão da estatal com mais força no setor de etanol, uma vez que a Guarani é a quarta do setor de cana no Brasil.

"Para a Petrobras, este investimento está alinhado ao seu Plano de Negócios e representa um movimento significativo no seu processo de consolidação como uma empresa de energia...", diz o comunicado conjunto das três empresas.

A Petrobras Biocombustível, que nasceu em 2008 com planos ambiciosos para o setor, comprou a sua primeira participação em usina de cana apenas ao final do ano passado, levando 40 por cento da Total Agroindústria Canavieira, em Minas Gerais.

Na área de biocombustíveis, a Petrobras prevê investir 2,8 bilhões de dólares no período de 2009 a 2013.

Terceiro maior produtor de açúcar da Europa, o Grupo Tereos anunciou no final de março o agrupamento da unidade no Brasil, a Açúcar Guarani, com ativos da companhia na Europa e na região do Oceano Índico.

A operação formou a Tereos Internacional, uma das maiores do setor sucroalcooleiro no mundo.

Para a nova safra 2010/11, a Guarani, quarta maior processadora de cana do país, prevê uma moagem de cerca de 17 milhões de toneladas de cana no Brasil, contra 13,8 milhões na temporada passada.

A empresa, que já moeu 6 por cento do volume de cana previsto, pretende produzir na atual temporada 490 milhões de litros de etanol.

O acordo ocorre na esteira de um intenso processo de fusões e aquisições pelo qual passa o setor sucroalcooleiro do Brasil, visto como o mais competitivo do mundo.

Neste ano, um dos negócios mais representativos envolveu a Shell e a Cosan, que anunciaram a formação de uma joint venture.

As ações da Guarani, em meio a rumores sobre a negociação, dispararam na Bovespa nesta sexta-feira, fechando com alta de 12,29 por cento.

(Texto de Camila Moreira, Edição de Roberto Samora)

Mais conteúdo sobre:
COMMODSPETROBRASGUARANI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.