PETROBRAS fecha acordo para explorar petróleo em Cuba

A Petrobras assinou na sexta-feira um acordo com a estatal cubana Cupet para a exploração de petróleo na costa da ilha, em cerimônia assistida pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Raúl Castro. O acordo, com investimento inicial de 8 milhões de dólares, permitirá que a Petrobras inicie a exploração no bloco 37 dos 59 disponíveis em águas cubanas do golfo do México. "Se existe a possibilidade de achar petróleo aqui em Cuba, fique tranquilo Raúl. Pode estar a 500 metros de profundidade, a 1.000 metros, a 3.000 metros, a 7.000 metros, vamos procurá-lo, vamos achá-lo e vamos transformá-lo em energia", disse Lula após a assinatura do acordo. A Petrobras já tento achar petróleo em Cuba, há 10 anos, mas não teve sucesso, depois de investir cerca de 20 milhões de dólares nos trabalhos de prospecção. Apesar do otimismo, Lula ressaltou que a busca por petróleo é um trabalho de longo prazo. "Amanhã não vai surgir petróleo aqui em Cuba, é um processo demorado, de estudos geológicos muito refinados." A área a ser explorada pela Petrobras tem 1.600 quilômetros quadrados e profundidade de 500 a 1.600 metros, a uma distância de 3 a 12 quilômetros da costa, ao norte da província de Matanzas, perto do balneário de Varadero, cerca de 140 quilômetros a leste de Havana. O documento, assinado em Havana por José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras, e Rafael Arias, diretor comercial da Cupet, contempla quatro períodos para a fase de exploração, com 18 a 24 meses cada. Ao final de cada período, e de acordo com os resultados, a Petrobras decidirá se permanece ou não no negócio, disse a jornalistas Miriam Guaraciaba, assessora de imprensa da Petrobras. JUSTIÇA DIVINA O acordo é de sete anos para a prospecção e de 25 anos para a eventual produção, na qual a Petrobras teria uma participação. Também na sexta-feira, Lula e Raúl inauguraram uma sucursal da ApexBrasil, órgão voltado para a promoção das exportações. É o primeiro escritório desse tipo na América Latina. Raúl disse que os 10 acordos firmados durante a visita de Lula em janeiro estão caminhando em bom ritmo. "Não vou negar que o que mais nos interessa é o que acabam de assinar . Deus não pode ser tão injusto de que não encontremos nada", disse o dirigente comunista. "Tenho plena confiança de que encontraremos petróleo, por vários motivos, porque os demais têm petróleo, porque já estamos extraindo algum, e pela capacidade da empresa brasileira", acrescentou. Outras sete empresas do setor, como a espanhola Repsol-YPF e a venezuelana PDVSA, já têm convênios com a Cupet. A ilha consome 150 mil barris diários de petróleo e derivados. Desse total, cerca de 92 mil são importados da Venezuela, principal parceiro comercial e político de Cuba. O Brasil é o segundo sócio comercial de Cuba na região, segundo relatos oficiais. O intercâmbio bilateral foi de 412 milhões de dólares em 2007, cerca de 10 por cento a mais do que em 2006. Não se sabe se Lula fará uma visita ao ex-presidente Fidel Castro, que em fevereiro transferiu o poder definitivamente a seu irmão Raúl, depois que ficou doente em julho de 2006. Em janeiro, Lula e Fidel conversaram durante mais de duas horas, segundo relatos oficiais. (Reportagem de Rosa Tania Valdés com colaboração de Nelson Acosta)

REUTERS

31 de outubro de 2008 | 17h42

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