Petroleira é condenada por vazamento na costa da França

Total terá de pagar milhões de euros em indenizações e multa por desastre ecológico.

BBC Brasil, BBC

16 de janeiro de 2008 | 17h25

Um tribunal em Paris determinou nesta quarta-feira que a companhia de petróleo Total foi responsável por um dos piores desastres ambientais já ocorridos na França e que por isso deverá pagar milhões de euros em multa e indenizações.A condenação por "poluição marítima" refere-se ao vazamento de 20 mil toneladas de petróleo do navio Erika, que afundou a 75 quilômetros da costa da Bretânia, banhada pelo Oceano Atlântico, em dezembro de 1999.O acidente contaminou 400 quilômetros da costa francesa e, segundo ambientalistas, matou cerca de 75 mil pássaros, entre outros danos ambientais. A Total, que havia fretado o petroleiro, terá de pagar uma multa de 375 mil euros (cerca de R$ 970 mil), o valor máximo previsto em lei, mais indenizações de quase 200 milhões de euros (R$ 518 milhões). Decisão inéditaEsta é a primeira vez que um tribunal francês responsabiliza a companhia que fretou um petroleiro pela poluição causada num acidente.A companhia italiana Rina, que garantiu que o Erika estava em boas condições, o proprietário (Giuseppe Saverese) e o gerente da embarcação (Antonio Pollara) também foram responsabilizados pelo vazamento.Outros 11 acusados no processo, incluindo o capitão do barco, foram inocentados. O julgamento foi realizado em fevereiro de 2007 e os 15 réus, incluindo a Total, alegaram inocência. Representantes do governo francês, de administrações locais e grupos ambientalistas estavam presentes, entre outros que moveram ações contra a Total e os outros réus.A empresa francesa foi absolvida de uma acusação de pôr pessoas e propriedades em risco. Fabricado na ilha de Malta, o Erika se partiu em dois quando passou pela Baía de Viscaia. O navio tinha 25 anos à época do acidente.Os 26 tripulantes foram retirados da embarcação com segurança por um helicóptero, mas a sua carga se espalhou pelo mar.Um ano após o acidente, a União Européia adotou medidas de segurança mais rígidas, incluindo a proibição de navios de um só casco como o Erika.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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