Petroleira HRT anuncia descoberta de gás no AM; ações sobem

A petrolífera brasileira HRT anunciou nesta quinta-feira ter feito uma descoberta de gás no campo de Juruá, na bacia do Solimões, região amazônica do país.

Reuters

16 de agosto de 2012 | 14h15

A empresa concluiu o teste de formação no poço 1-HRT-8-AM, no município de Tefé, distante a 575 quilômetros de Manaus. A petrolífera já havia descoberto gás em outros dois poços do campo de Juruá, (no 1-HRT-5-AM e 1-HRT-2-AM).

"Esta descoberta constitui mais um passo importante na avaliação do potencial gaseífero do pólo de Tefé, na bacia do Solimões", comentou Milton Franke, diretor presidente da HRT O&G, em nota.

De acordo com dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a bacia do Solimões detém a segunda maior reserva de gás do Brasil e a quarta maior produção brasileira de óleo e gás, com cerca de 109 mil barris de óleo equivalente por dia.

A descoberta animou os investidores e as ações da HRT dispararam na bolsa. Às 14h05 os papéis da empresa subiam 6 por cento, enquanto o Ibovespa operava em alta de 1,2 por cento --a HRT não integra o índice.

O prospecto apontou capacidade para armazenar entre 4,9 bilhões e 8,2 bilhões de metros cúbicos de gás recuperáveis, segundo a companhia. O potencial de vazão é de até 1,5 milhão de metros cúbicos (53 milhões de pés cúbicos) de gás natural por dia quando atingir sua fase de desenvolvimento, uma grande quantidade de gás.

O poço 1-HRT-5, na mesma região, cujo teste de fornação foi concluído em abril, indicou um potencial de vazão de 2 milhões de metros cúbicos (70,7 milhões de pés cúbicos) de gás natural por dia quando atingir sua fase de desenvolvimento.

A HRT O&G é detentora de 55 por cento de 21 blocos na bacia do Solimões, em parceria com a TNK-Brasil, subsidiária da terceira maior petrolífera russa, TNK-BP.

O poço 1-HRT-8-AM, assim como outras descobertas nesta subregião da bacia, deverá fazer parte de plano de avaliação a ser submetido à ANP.

MONETIZAÇÃO

A HRT já perfurou nove poços na bacia do Solimões, mas anunciou que reduzirá trabalhos de perfuração no Amazonas, uma atividade custosa e cujo gás encontrado ainda não está gerando receita para a companhia.

O presidente da holding HRT, Marcio Mello, já disse recentemente que negocia com empresas de energia e com petroquímicas a venda do gás da bacia do Solimões, mas é preciso que se tenha a infraestrutura necessária para escoar a commodity.

O Banco do Brasil, em relatório assinado pelo analista Nataniel Cezimbra sobre os resultados da petrolífera, afirmou que "a indefinição quanto à monetização do gás ainda gera incertezas sobre o retorno financeiro da operação na bacia do Solimões pela HRT."

A meta da empresa é ter definida uma estratégia para monetização do gás natural da Bacia do Solimões até o fim de 2013.

Dessa forma, executivos da HRT e da sua sócia anglo-russa TNK-BP reavaliaram a bacia do Solimões e decidiram diminuir temporariamente o número de sondas de exploração em operação de quatro para duas.

(Por Leila Coimbra e Diogo Ferreira Gomes)

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