PF apura ameaças e protestos contra desocupação no MT

A pedido do Ministério Público Federal em Mato Grosso, a Polícia Federal vai investigar quem está incitando protestos violentos contra a desocupação da terra indígena Marãiwatsédé, no norte do Estado. A Polícia Federal já apura ameaças feitas a dom Pedro Casaldáglia, ao cacique Damião Paradziné e ao prefeito de Alto Boa Vista, Wanderley Perin.

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ESTADO, Agência Estado

14 Dezembro 2012 | 16h17

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do MPF/MT, "a medida foi tomada, porque notícias da imprensa dão conta de que o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato)/Araguaia, Marcos da Rosa, estaria conclamando a população de Ribeirão Cascalheira (MT) a participar de bloqueios em rodovias federais, oferecendo, inclusive, "alimentação farta" distribuída por caminhões, a fim de impedir o cumprimento de ordem do Poder Judiciário para desocupação da terra indígena".

Com telefones celulares fora de serviço, Marcos da Rosa não foi localizado para comentar a citação.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou que, desde o início da operação de retirada dos invasores da terra dos xavantes, há registros de ameaças de morte a representantes do governo federal e pequenos ocupantes não indígenas, que são coagidos a não deixar a área.

Segundo o órgão, uma equipe da Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS) também sofreu intimidação e foi barrada ao tentar transportar um adolescente indígena ferido em acidente doméstico.

As intimidações ainda incluem ameaças de morte nominais a servidores da Funai, do Incra e policiais que participam da operação de desocupação, além do cacique xavante Damião Paridzané. O governo federal encaminhou reforço de efetivos policiais para a região.

Na quinta-feira (13), a força-tarefa formada por oficiais de Justiça, equipes das forças de segurança e representantes do governo federal percorreram outras cinco fazendas na chamada área 1 da desocupação. As equipes encontraram dificuldade de locomoção devido a árvores e outros obstáculos colocados nas estradas para inviabilizar o acesso. Também foram abertos buracos em alguns trechos com o mesmo objetivo.

A previsão é encerrar esta etapa, que concentra grandes propriedades, no fim de semana. Até o momento, cerca de 20 mil hectares foram oficialmente retomados. A área total da terra indígena é de 165.241 hectares.

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