PF busca 12 por fraudes em concurso público no País

Operação Tormenta vai cumprir mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão

Central de Notícias

16 de junho de 2010 | 11h39

SÃO PAULO - A Polícia Federal desencadeou na manhã desta quarta-feira, 16, a Operação Tormenta, com objetivo de desarticular uma suposta quadrilha que fraudava concursos públicos em todo o País. De acordo com a PF, estão sendo cumpridos 12 mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão - sendo 21 na Grande São Paulo, um no Rio de Janeiro, três na região de Campinas, no interior de São Paulo, e nove na Baixada Santista.

 

As investigações foram iniciadas por meio de informações obtidas durante investigação social realizada no âmbito do concurso para Agente de Polícia concurso para Agente de Polícia Federal de 2009, fase do concurso que faz parte do sistema de proteção adotado pela instituição no recrutamento de novos policiais.

 

A partir daí, ficou constatado que a quadrilha atuava em todo o País, mediante o acesso aos cadernos de questões, antes da data de aplicação das provas. Além do concurso da PF, o grupo teve acesso privilegiado às provas do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) (2ª fase/2010) e do concurso da Receita Federal (Auditor-Fiscal/1994).

 

Foram identificados 53 candidatos que tiveram acesso à prova de Agente Federal, pelo menos 26 candidatos que tiveram acesso à prova da OAB e há indícios de que 41 candidatos tenham tido acesso à prova da Receita Federal.

 

Mesmo após a notícia do vazamento da prova da OAB pela imprensa, e sabendo que o fato seria investigado pela PF, a organização criminosa se articulou para fraudar, sem sucesso, concursos da Caixa Econômica Federal, da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), do INSS - Perito Médico, da Advogado da União (AGU), da Santa Casa de Santos - Residência Médica, de Defensor Público da União e da Faculdade de Medicina de Ouro Preto. Foram constatados indícios de fraudes em outros concursos, que serão investigados pela PF.

 

O grupo suspeito, após identificar os concursos de interesse e a instituição responsável pela realização, atuava de várias formas para auxiliar o cliente: por meio de aliciamento de pessoas que tinham acesso ao caderno de questões, para acesso antecipado às provas; repasse de respostas por ponto eletrônico durante a realização do concurso e a indicação de uma terceira pessoa mais preparada para fazer o concurso no lugar do candidato-cliente.

 

O grupo ainda atuava na falsificação de documentos e diplomas exigidos pelos certames quando o candidato não possuía a formação exigida.

 

Ainda segundo a PF, a quadrilha era composta pelos seguintes membros:

 

a) O líder da organização criminosa: responsável por corromper as pessoas que tinham acesso ao caderno de questões da prova mediante pagamento de propina. Revendia cópias dos cadernos aos clientes do esquema, de maneira direta ou por meio de distribuidores e aliciadores; também era responsável por organizar fraudes mediante "ponto eletrônico", quando não conseguia obter as questões antecipadamente;

b) Os responsáveis pelo desvio das provas: Tinham acesso ao caderno de questões, ou responsabilidade pela segurança, antes do dia do exame e desviavam-no mediante pagamento de propina;

c) Os "distribuidores": adquiriam as provas do líder da organização criminosa para revendê-las com lucro, seja diretamente aos "clientes" da organização criminosa, seja por meio de aliciadores;

 

d) Os "aliciadores": intimamente ligados aos "distribuidores", negociavam as provas com os candidatos; frequentemente telefonavam a possíveis candidatos orientando-os a se inscreverem no concurso para lhes venderem o caderno de questões posteriormente;

 

e) Os "clientes" do esquema: serviam-se da organização criminosa para comprar provas de concursos e exames, tendo acesso às questões antecipadamente em detrimento dos demais candidatos e examinandos;

 

f) Os "falsificadores": eram responsáveis por falsificar diplomas e certificados para candidatos que não possuíam a formação necessária para concorrer a determinados cargos públicos; também forneciam documentos para que um candidato fazer a prova no lugar do outro;

 

g) Os "professores": eram responsáveis pela correção das questões da prova que seriam entregues aos candidatos e, no caso da OAB, pelas aulas dadas em cursinhos para os candidatos, com base no teor das questões da prova desviada.

 

Para a confirmação dos fatos, a PF desenvolveu metodologia própria de investigação, possibilitando um acompanhamento mais eficiente dos concursos públicos, garantindo a lisura e impedindo a fraude nos certames.

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