PF busca quadrilha que invade contas bancárias pela rede

A Polícia Federal realiza nesta terça-feira, 13, uma ação em dois estados do Nordeste para prender uma quadrilha especializada em invadir contas bancárias por meio da internet. A Operação Valáquia, que será realizada em Teresina e Campo Maior, no Piauí, e em Codó, no Maranhão, conta com cerca de 150 policiais dos dois Estados e do Ceará. As investigações tiveram início há seis meses a partir de denúncias de pessoas que constataram saques fraudulentos em suas contas mantidas em estabelecimentos bancários, em especial na Caixa Econômica Federal. Em todos os casos, os débitos acontecem sempre em contas das vítimas que tiveram suas senhas capturadas pela internet por meio do programa conhecido como "cavalo de tróia" ou por programas de monitoramento de teclados, os "spywares". Outra forma utilizada pelos estelionatários é o envio de mensagens por meio de sites de relacionamento, como Orkut e MSN, contendo arquivos espiões. Dentre as formas de atuação da quadrilha, as mais comuns são transferências de valores; aquisição de produtos e serviços comercializados pela Internet e pagamento de boletos bancários de diversas naturezas (tributos, serviços e produtos). O nome da operação (Valáquia) é uma alusão à região que teria sido governada pelo Príncipe Vlad Tepes, o personagem histórico que deu origem ao mito do Conde Drácula. Isso porque os criminosos agem como vampiros, sugando recursos das contas das vítimas. Método de ataque Todos os métodos têm em comum a característica de "pescar" as senhas dos usuários, o que vem sendo chamado pela comunidade virtual de "phishing", corruptela das palavras "password" (senha) e "fishing" (pescar). Utilizando-se desses programas, os estelionatários descobrem os dados bancários invadindo o computador da vítima, geralmente por meio de endereços eletrônicos. O programa se encarrega de mandar as informações para um servidor ou e-mail dos criminosos. Um dos golpes mais comuns consiste no envio de mensagem alertando sobre possíveis invasões de contas, registro como inadimplentes no Serasa ou irregularidades na Receita Federal. Nessas mensagens, são pedidos para que os usuários digitem seus dados bancários, inclusive senha. Outra forma comum de ação é a criação das chamadas páginas clone das instituições bancárias, para onde os usuários são direcionados quando tentam acessar a página do seu banco. Os saques normalmente ocorrem após a transferência indevida dos valores para contas de ´laranjas´ que emprestam seus cartões e senhas mediante pagamento de compensação que varia de R$ 100 a R$ 500. Desta forma, aqueles que "alugam" suas contas para recebimento dos valores ilícitos possuem participação decisiva para a consumação do crime. A PF cumpre 27 mandados de busca, apreensão e de prisão expedidos pelo juiz da 2ª Vara Federal do Estado do Piauí. Somente nos últimos dois anos, a Polícia Federal deflagrou mais de 10 operações de repressão a esse tipo de crime, resultando em mais de 520 prisões. Os presos serão encaminhados para o Complexo Penitenciário de Teresina, onde permanecerão à disposição da Justiça.

Agencia Estado,

13 Fevereiro 2007 | 12h15

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